quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Keres e os traumas emocionais - espíritos femininos originadas de Nix



As Keres eram espíritos femininos originadas de Nix, a deusa da noite. Alguns atribui-lhes a paternidade de Erebus, outros defendem que elas foram geradas sem a união com outro deus. As Keres simbolizam o destino cruel, fatal e impossível de escapar e elas seriam aquelas que traziam a morte violenta aos mortais. Cada uma das Keres correspondia a um tipo específico de morte violenta, chamadas pelos romanos de Tênebras ou Trevas.

Confundidas com as Erínias, ou com as Harpias ou com as Moiras - o destino cego, as Keres eram verdadeiros monstros alados de cor negra, dentes pontiagudos e longas unhas que usavam para ferir ou despedaçar os cadáveres. As Keres eram irmãs de Thanatus - a personificação da morte, Moro - o escárnio e o quinhão que cada homem receberá em vida e o destino e Átropos - uma das Moiras. Juntos determinavam o fim da vida. Enquanto seus irmãos promoviam a morte tranquila, as Keres rondavam os campos de batalha, portanto tinham por missão trazer a morte cruel antes do tempo.

Quando o sanguinário deus Ares partia para grandes guerras, convocava as Keres para fazer parte de seu cortejo. À frente iam os filhos de Ares, Deimos - o espanto e Phobos - o terror. Após a batalha, as Keres devoravam os mortos e levavam as almas ao Hades. Presentes nos campos de batalha ou nos momentos de grande violência, como assassinatos, acidentes e devastações coletivas, aos que sobreviviam a elas, restava-lhes uma visão de sua horrível presença. A Ilíada afirma que cada ser humano possui uma Ker consigo, que personifica sua própria morte.

Elas seriam um dos maus espíritos liberados da caixa de Pandora. Ora tratadas como várias divindades e ora tratada apenas como uma única divindade que tinha um valor coletivo, entre as personificações destrutivas estão: Stygere, o ódio - Anaplekte, a morte rápida - Nosos, a doença - Ker, a destruição - Akhlys, a névoa da morte.

O mito das Keres simbolizam o destino cruel e fatal e também os traumas emocionais causados por situações de eminente violência, tais como tentativa de assalto, sequestro, ataques de animais violentos ou peçonhentos, catástrofes naturais, agressão física, estupro ou acidentes. Pessoas que estiveram em situações de eminente violência podem desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático que pode ser facilitado tanto pelo seu tipo de personalidade como a sua forma de lidar com dificuldades.

Toda ação produz uma reação em igual intensidade em sentido contrário. Esse choque de forças não é só uma teoria, mas uma verdade que surge nos momentos de fortes tensões emocionais. As pessoas podem ser afetadas em graus variados e o impacto é muito relativo, variando de pessoa para pessoa. Algumas pessoas podem ser totalmente afetadas pelo transtorno, que traz sofrimento e interfere em sua vida pessoal e profissional, provocando sintomas fisiológicos, emocionais e comportamentais.

Pessoas nessa situação, tentam afastar-se de quaisquer fatos, objetos, pessoas, locais e situações que possam trazer sensação de desconforto ao relembrar dos fatos. Os flashblacks, a sensação de estar novamente vivenciando o mesmo acontecimento, podem ocorrer através de pesadelos e sonhos aflitivos. Isso leva a um estado de constante tensão, gerando medo e terror obssessivo. A pessoa pode se assustar facilmente e estar sempre na expectativa de que a situação possa ocorrer novamente. Outras podem entrar numa sensação de vazio, perda de esperança no futuro e afastamento de atividades que considerava agradáveis no passado.

Em geral, as pessoas podem desenvolver os sintomas meses depois do evento, demorando algum tempo para incorporá-los. O próprio caso dramático ocorrido pode trazer significativas aprendizagens para lidar com o estresse pós-traumático, já que não é possível simplesmente esquecê-lo. Toda pessoa que foi afetada por um evento traumático deve ser acompanhada, apoiada e encorajada a encarar os fatos. Enfrentando o medo, pouco a pouco conseguirá superá-lo, para que não viva sob o constante fantasma das Keres. Só assim poderá reconstruir-se em outro contexto.



FONTE: SEGREDOS DA MITOLOGIA

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Caveira

Caveira




Sou exu, assentado nas forças do Sagrado Omulu e sob sua irradiação divina trabalho. Fui aceito pelo Divino Trono Mehor-yê e nomeado Exu a mais ou menos dois milênios, depois de minha última passagem pela terra, a qual fui um pecador miserável e desencarnei amarrado ao ódio, buscando a vingança, dando vazão ao meu egoísmo, vaidade e todos os demais vícios humanos que se possa imaginar.

Fui senhor de um povoado que habitava a beira do grande rio sagrado. Nossa aldeia cultuava a natureza e inocentemente fazia oferendas cruéis de animais e fetos humanos. Até que minha própria mulher engravidou e o sumo sacerdote, decidiu que a semente que crescia no ventre de minha amada, devia ser sacrificada, para acalmar o deus da tempestade. Obviamente eu não permiti que tal infortúnio se abatesse sobre minha futura família, até porque se tratava do meu primeiro filho. Mas todo o meu esforço foi em vão. Em uma noite tempestuosa, os homens da aldeia reunidos, invadiram minha tenda silenciosamente, roubaram minha mulher e a violentaram, provocando imediato aborto e com o feto fizeram a inútil oferenda no poço dos sacrifícios. Meu peito se encheu de ódio e eu nada fiz para contê-lo. Simplesmente e enquanto houve vida em mim, eu matei um por um dos algozes de minha esposa inclusive o tal sacerdote.

Passei a não crer mais em deuses, pois o sacrifício foi inútil. Tanto que meu povoado sumiu da face da terra, soterrado pela areia, tamanha foi à fúria da tempestade. De repente o que era rio virou areia e o que areia virou rio. Mas meu ódio persistia. Em meus olhos havia sangue e tudo o que eu queria era sangue. Sem perceber estava sendo espiritualmente influenciado pelos homens que matei que se organizaram em uma trevosa falange a fim de me ver morto também. O sacerdote era o líder. Passei então a ser vítima do ódio que semeei.

Sem morada e sem rumo, mas com um tenebroso exército de homens odiosos, avançamos contra várias aldeias e povoados, aniquilando vidas inocentes e temerosamente assombrando todo o Egito antigo. Assim invadimos terras e mais terras, manchamos as sagradas águas do Nilo de sangue, bebíamos e nos entregávamos às depravações com todas as mulheres que capturávamos. Foi uma aventura horrível. Quanto mais ódio eu tinha, mais eu queria ter. Se eu não podia ter minha mulher, então que nenhum homem em parte alguma poderia ter. Entreguei-me a outros homens, mas ao mesmo tempo violentava bruscamente as mulheres. As crianças, lamentavelmente nós matávamos sem piedade. Nosso rastro era de ódio e destruição completa. Até que chegamos aos palácios de um majestoso faraó, que também despertava muito ódio em alguns dos mais interessados em destruí-lo, pois os mesmos não concordavam com sua doutrina ou religião. Eis que então fomos pagos para fazer o que tínhamos prazer em fazer, matar o faraó.

Foi decretada então a minha morte. Os fiéis soldados do palácio, que eram muito numerosos, nos aniquilaram com a mesma impiedade que tínhamos para com os outros. Quem com ferro ferem, com ferro será ferido. Isto coube na medida exata para conosco.

Parti para o inferno. Mas não falo do inferno ao quais os leitores estão acostumados a ouvir nas lendas das religiões efêmeras que pregam por aí. O inferno a que me refiro é o inferno da própria consciência. Este sim é implacável. Vendo meu corpo inerte, atingido pelo golpe de uma espada, e sangrando, não consegui compreender o que estava acontecendo. Mas o sangue jorrava-me fez recordar-me de todas as minhas atrocidades. Olhei todo o espaço ao meu redor e tudo o que vi foram pessoas mortas. Tudo se transformou de repente. Todos os espaços eram preenchidos com corpos imundos e fétidos, caveiras e mais caveiras se aproximavam e se afastavam. Naquele êxtase, cai derrotado. Não sei quanto tempo fiquei ali, inerte e chorando, vendo todo aquele horror.

Tudo era sangue, um fogo terrível ardia em mim e isso era ainda mais cruel. Minha consciência se fechou em si mesma. O medo se apossou de mim, já não era mais eu, mas sim o peso de meus erros que me condenava. Nada eu podia fazer. As gargalhadas vinham de fora e atingiam meus sentidos bem lá no fundo. O medo aumentava e eu chorava cada vez mais. Lá estava eu, absolutamente derrotado por mim mesmo, pelo meu ódio cada vez mais sem sentido. Onde estava o amor com que eu construí meu povoado? Onde estavam meus companheiros? Minha querida esposa? Todos me abandonaram. Nada mais havia a não ser choro e ranger de dentes. Reduzi-me a um verme, jogado nas trevas de minha própria consciência e somente quem tem a outorga para entrar nesta escuridão é que pode avaliar o que estou dizendo, porque é indescritível. Recordar de tudo isto hoje já não me traz mais dor alguma, pois muito eu aprendi deste episódio triste de minha vida espiritual.

Por longos anos eu vaguei nesta imensidão escura, pisoteado pelos meus inimigos, até o fim das minhas forças.
Já não havia mais suspiro, nem lágrimas, nem ódio, nem amor, enfim nada que se pudesse sentir. Fui esgotado até a última gota de sangue, tornei-me um verme. E na minha condição de verme, eu consegui num último arroubo de minha vil consciência pedir socorro a alguém que pudesse me ajudar. Eis que então, depois de muito clamar, surgiu um alguém que veio a tirar-me dali, mesmo assim arrastado. Recordo-me que estava atado a um cavalo enorme e negro e o cavaleiro que o montava assemelhava-se a um guerreiro, não menos cruel do que fui. Depois de longa jornada, fui alojado sobre uma pedra. Ali me alimentaram e cuidaram de mim com desvelo incompreensível. Será que ouviram meus apelos? Perguntava-me intimamente. Sim claro, senão ainda estaria lá naquele inferno, respondia-me a mim mesmo. “–Cale-se e aproveite o alvitre que vosso pai vos concedeu.”- Disse uma voz vinda não sei de onde. O que eu não compreendi foi como ele havia me ouvido, já que eu não disse palavra alguma, apenas pensei, mas ele ouviu. Calei-me por completo.

Por longos e longos anos fiquei naquela pedra, semelhante a um leito, até que meu corpo se refez e eu pude levantar-me novamente. Apresentou-se então o meu salvador. Um nobre cavaleiro, armado até os dentes. Carregava um enorme tridente cravado de rubis flamejantes. Seu porte era enorme. Longa capa negra lhe cobria o dorso, mas eu não consegui ver seu rosto.

– Não tente me olhar imbecil, o dia que te veres, verá a mim, porque aqui todos são iguais.

Disse o homem em tom severo. Meu corpo tremia e eu não conseguia conter, minha voz não saía e eu olhava baixo, resignando-me perante suas ordens.

- Fui ordenado a conduzir-lhe e tenho-te como escravo. Deves me obedecer se não quiser retornar àquele antro de loucos que estavas. Siga minhas instruções com atenção e eu lhe darei trabalho e comida. Desobedeça e sofrerás o castigo merecido.

- Posso saber seu nome, nobre senhor?

- Por enquanto não, no tempo certo eu revelarei, agora se cale, vamos ao nosso primeiro trabalho.

- Esta bem.

Segui o homem. Ele de cavalo e eu corríamos a atrás dele, como um serviçal. Vagamos por aqueles lugares sujos e realizamos várias tarefas juntos. Aprendi a manusear as armas, que me foram dadas depois de muito tempo. Aos poucos meu amor pela criação foi renascendo. As várias lições que me foram passadas me faziam perceber a importância daqueles trabalhos no astral inferior. Gradativamente fui galgando os degraus daquele mistério com fidelidade e carinho. Ganhei a confiança de meu chefe e de seus superiores. Fui posto a prova e fui aprovado. Logo aprendi a volitar e plasmar as coisas que queria. Foram anos e anos de aprendizado. Não sei contar o tempo da terra, mas asseguro que menos de cem anos não foram.

Foi então que numa assembléia repleta de homens iguais ao meu chefe, eu fui oficialmente nomeado Exu. Nela eu me apresentei ao Senhor Omulu e ao divino trono de Mehor-yê, assumindo as responsabilidades que todo Exu deve assumir se quiser ser Exu.

- Amor a Deus e às suas leis;

- Amor à criação do Pai e a todas as suas criaturas;

- Fidelidade acima de tudo;

- Compreensão e estudo, para julgar com a devida sabedoria;

- Obedecer às regras do embaixo, assim como as do encima;

E algumas outras regras que não me foi permitido citar, dada a importância que elas têm para todos os Exus.

A princípio trabalhei na falange de meu chefe, por gratidão e simpatia.
Mas logo me surgiu a necessidade de ter minha própria falange, visto que os escravos que capturei já eram em grande número. Por esta mesma época, aquele antigo sacerdote do meu povoado, lembram-se? Pois é, ele reencarnou em terras africanas e minha esposa deveria ser a esposa dele, para que a lei se cumprisse. Vendo o panorama do quadro que se formou, solicitei imediatamente uma audiência com o Divino Omulu e com O Senhor Ogum Megê e pedi que intercedessem para que eu pudesse ser o guardião de meu antigo algoz. Meu pedido foi atendido. Se eu fosse bem sucedido poderia ter a minha falange. Assim assumi a esquerda do sacerdote, que, na aldeia em que nasceu, foi preparado desde menino para ser o Babalorixá, em substituição ao seu pai de sangue. A filha do babalawo era minha ex-esposa e estava prometida ao seu antigo algoz. Assim se desenvolveu a trama que pôs fim às nossas diferenças. Minha ex-mulher deu a luz a vinte e quatro filhos e todos eles foram criados com o devido cuidado. Muito trabalho eu tive naquela aldeia. Até que as invasões e as capturas e o comércio de negros para o ocidente se fizeram. Os trabalhos redobraram, pois tínhamos que conter toda a revolta e ódio que emanava dos escravos africanos, presos aos porões dos navios negreiros.

Mas meu protegido já estava velho e foi poupado, porém seus filhos não, todos foram escravizados. Mas era a lei e ela deveria ser cumprida.

Depois de muito tempo uma ordem veio do encima: “Todos os guardiões devem se preparar, novos assentamentos será necessário, uma nova religião iria nascer o que para nós era em breve, pois não sei se perceberam, mas o tempo espiritual é diferente do tempo material. Preparamo-nos, conforme nos foi ordenado. Até que a Sagrada Umbanda foi inaugurada. Então eu fui nomeado Guardião à esquerda do Sagrado Omulu-yê e então pude assumir meu trono, meu grau e meus degraus. Novamente assumi a obrigação de conduzir meu antigo algoz, que hoje já está no em cima, feito meritoriamente alcançado, devido a todos os trabalhos e sacrifícios feitos em favor da Umbanda e do bem".

Hoje, aqui de meu trono no embaixo, comando a falange dos Exus Caveira e somente após muitos e muitos anos eu pude ver minha face em um espelho e notei que ela é igual à de meu tutor querido o Grande Senhor Exu Tatá Caveira, ao qual devo muito respeito e carinho. Não confundam Exu Caveira, com Exu Tatá Caveira, os trabalhos são semelhantes, mas os mistérios são diferentes.

Tatá Caveira trabalha nos sete campos da fé; Exu caveira trabalha nos mistérios da geração na calunga, porque é lá que a vida se transforma, dando lugar à geração de outras vidas, mas não se esqueçam que há sete mistérios dentro da geração, principalmente a Lei Maior, que comanda todos os mistérios de qualquer Exu. Onde há infidelidade ou desrespeito para com a geração da vida ou aos seus semelhantes, Exu Caveira atua, desvitalizando e conduzindo no caminho correto, para que não caiam nas presas doloridas e impiedosas do Grande Lúcifer-Yê, pois não desejo a ninguém um décimo do que passei. Se vossos atos forem bons e louváveis perante a geração e ao Pai Maior, então vitalizamos e damos forma a todos os desejos de qualquer um que queira usufruir dos benefícios dos meus mistérios.
De qualquer maneira, o amor impera sim, o amor, e por que Exu não pode falar de amor? Ora se foi pelo amor que todo Exu foi salvo, então o amor é bom e o respeito a ele conserva-nos no caminho. Este é o meu mistério. Em qualquer lugar da calunga, pratique com amor e respeito a sua religião e ofereça velas pretas, vermelhas e roxas, farofa de pinga com miúdos de boi. Acenda de um a sete charutos, sempre em números ímpares e aguardente. De acordo com o número de velas, acendem-se sete velas, assente sete copos e sete charutos, assim por diante. Agrupe sempre as velas da mesma cor juntas e forme um triângulo com o vórtice voltado para si, as velas roxas no vórtice, as pretas à esquerda e as vermelhas à direita, simbolizando a sua fidelidade e companheirismo para conosco, pois Exu Caveira abomina traição e infidelidade, como, por exemplo, o aborto, isto não é tolerado por mim e todos os que praticam tal ato é então condenado a viver sob as hostes severas de meu mistério. Peça o que quiser com fé, e com fé lhes trarei, pois todos os Exus Caveira são fiéis aos seus médiuns e àqueles que nos procuram.

A falange de Exus Caveira pertence à falange do Grande Tatá Caveira, que é o pai de todos os Exus assentados à esquerda do Divino Omulu, os demais, não posso citar falo apenas do meu mistério, pois dele eu tenho conhecimento e licença para abrir o que acho necessário e básico para o vosso aprendizado, quanto ao mais, busquem com vossos Exus pessoais, que são grandes amigos de seus filhos e certamente saberão orientar com carinho sobre vossas dúvidas. Um último detalhe a ser revelado é que todos os que têm Exu Caveira como Exu de trabalho ou protetor, é porque em algum momento do passado, pecaram contra a criação ou à geração e ambos, protetores e protegido tem alguma correlação com estes atos errôneos de vidas anteriores.

Tenham certeza, se seguirem corretamente as orientações, com trabalho e disciplina, o mesmo que sucedeu com meu antigo e grande Sumo Sacerdote, sucederá com vocês também, porque este é o nosso desejo. Mais a mais, se um Exu de minha falange consegue vencer através de seu médium ou protegido, ele automaticamente alcança o direito de sair do embaixo e galgar os degraus da evolução em outras esferas.






“Que o Divino Pai maior possa lhes abençoar e que a Lei Maior e a Justiça Divina lhes dêem as bênçãos de dias melhores”.


Com carinho

  Exu Caveira.


Rosa Caveira

                                         



Esta entidade que acompanha o Exu Caveira, trabalha na linha dos cemitérios e por lá tem muito prestigio! quando alguém quiser ofertar esta pomba-gira, não esqueça do marafo do Seu Caveira, pois caso contrário ele não irá deixar ela te receber. Recebe suas oferendas nos portões ou no segundo cruzeiro do cemitério. Suas velas são pretas e brancas e sua oferenda leva bolinhos de carne moída crua, com pimenta , sal e dendê. Adora rosas e perfumes e trabalha para o que você quiser! Cuidado para não fazer o mal a ninguém, pois ele sempre voltará a você! Entregue seus problemas a Rosa Caveira, pois saberá como resolvê-los sem atrapalhar ninguém!


Exú Caveira
O que sei sobre o Seu Caveira é fruto do que ele mesmo ensinou e falou, coisa simples pois ele também não acredita ser necessária uma decodificação da Quimbanda, é preciso sim crer, ter fé. Exu Caveira é uma entidade nomeada por Oxalá, quando da criação da vida humana na Terra, para cuidar do desencarne. É uma entidade incriada como todos os espíritos, porém sua consciência é anterior a criação da Terra derivada das Águas Ancestrais, do Verbo Divino; é Ele uma espécie de 'carrasco chefe' no plano terreno e policial no plano astral do campo da escuridão, da esquerda; responsável por ceifar a vida terrena, do indivíduo, no momento certo, entre outras tarefas, para as quais é imprescindível ajuda de toda sua falange que dizem eles ser formada pelos Exus:






Tata Caveira, Pemba, Brasa, Carangola, Pagão, Arranca Toco, Exu do Lodo e Pomba Gira Rainha do Cemitério. Devido ao respeito mostrado por outros Exus ao Seu Caveira, durante a Gira, chamando-o de 'chefe' tenho opinião de que a falange é bem maior somando o total de 49 Exus, isso não deve ter muita importância no entendimento sobre o tema pois uma decodificação, creio, é sempre prematura tendo em vista que o desenvolvimento espiritual e a Lei do Karma, são eternos, e isso também vale na esfera dos Exus... no campo da fé só é preciso acreditar.Exu Caveira, dizem alguns, é um desdobramento do próprio Sr. Omolu que assume a forma de Exu Caveira para trabalhar mais ativamente nas Giras de Quimbanda. É, digamos assim, o braço direito deste Orixá. Também existe quem fale que os Senhores João Caveira, Tata Caveira, Exu Caveira e Exu Caveirinha são a mesma entidade desdobrando-se ou mesmo apresentando-se cada vez com um destes quatro nomes, coisa que acho difícil pois o trabalho nas Giras de Quimbanda tem mostrado por diversas vezes os quatro incorporados em um mesmo trabalho, com personalidades parecidas porém características próprias, individuais de cada um, tenho certeza que os 4 existem de fato como entidades distintas; porém talvez tenham mesmo se originado num desdobramento ocorrido num passado distante, anterior a própria criação, não tenho dúvidas de que Seu Caveirinha e Seu João Caveira pertencem a mesma falange, teoria esta que desmente as decodificações anteriores baseadas nas falanges de divindades pagãs e descrições do Grimorium Verum isso apesar de em muitas vezes o sincretismo indicar e descrever também, de fato, características próprias destes espíritos.
Pelo que foi dito pelo Seu Caveira ele encarnou na Terra, em forma humana, pela 1ª vez há pouco mais de 30.000 anos: "Quando encarnei pela primeira vez na Terra, há mais de 30.000 anos, estava tudo desolado e tive que me alimentar de um óleo que brotava do chão para sobreviver" disse ele explicando porque tem costume de beber azeite de dendê. Em todas as suas encarnações sofreu o como sofrem os seres
 humanos comuns para poder alcançar um grau maior de evolução sei que por escolha própria, apesar de gostar de riqueza nunca foi um nobre muito endinheirado ou teve alguma posição de grande destaque na sociedade, optando sempre por levar a vida simplesmente, sem apegar-se a luxos terrenos, sem fixar residência num mesmo lugar durante toda a vida e praticando até um relativo isolamento. Um fato curioso que vem sendo amplamente divulgado pelos próprios Caveiras é que uma vez encarnaram todos juntos, me parece que num total de 49 pessoas, no antigo Egito e fizeram parte de uma mesma seita aonde Seu Tata era o sacerdote, por praticarem o moteísmo foram todos condenados a serem queimados vivos, fato este que acredito ter realmente acontecido; creio que a encarnação e reencarnação destas entidades na Terra, partindo desta e passando pelo Brasil colonial aonde encarnaram como senhores de engenho, fazendeiros, barões e feitores de escravos (o que explica o fato de terem por Lei de obedecer aos Pretos e Pretas Velhas para trabalhar no Terreiro) teve relação direta com o fato de hoje eles trabalharem na Lei de Umbanda através da Quimbanda.

Exu Caveira, juntamente com Seu Tata Caveira, são responsáveis diretos pela administração do vício na Terra, na maior parte vicio em drogas pesadas que alteram a percepção e causam dependência física e ou psíquica, incluindo álcool e cigarros, eles podem também facilmente influir na sanidade corporal e psíquica das pessoas tirando ou dando lucidez e ou saúde física, claro que sempre de acordo com o merecimento, Karma, da pessoa que sofre sua influência ou de sua falange. Exu não pode simplesmente fazer mal a um inocente por isso a importância de se levar uma vida correta. O vício é usado como ferramenta de trabalho por Exu no dever de fazer cumprir o Karma, ou mesmo como provação. O livre arbítrio nos da o poder da decisão, podemos escolher formas mais brandas de cumprir nosso Karma e de cuidar de nossa evolução e para isso podemos contar com a proteção de Exu contra estes perigos e armadilhas aonde ele é o mestre.

A falange dos Caveira mexe profundamente com o nosso conjunto dos processos psíquicos conscientes e inconscientes devido ao grande medo da morte que trazemos, dentro da maioria de nós, enquanto
encarnados. Por termos também impressos em nossa psique serem estas entidades responsáveis diretos pelo desencarne, nada mais justo que lhes prestarmos o devido respeito evitando assim qualquer espécie de distúrbio no campo que lhes pertence.

Os Terreiros tradicionais, do início do século passado, têm grande receio em invocar esta entidade e só o fazem quando a coisa fica pesada mesmo, quando acontece algo que eles não compreendem ou mesmo não sabem como lidar ai chamam Exu, já vi e ouvi até dizerem este poderoso Exu é louco, intrigueiro e irresponsável, coisa que a mim, com todo respeito, parece ridícula pois isso se deve ao único fato destas tendas ignorarem uma boa Gira de Quimbanda por crenças de falsas morais que já não nos servem mais nos dias de hoje.

Exu Caveira e sua falange tem em especial grande poder para favorecer a qualquer espécie de especulação ensinando todas as táticas e artimanhas da guerra, tendo em vista a vitória sobre os inimigos, é encarregado de vigiar a entrada para cemitérios ou qualquer lugar aonde hajam pessoas enterradas, seu poder é tal que muitas vezes incutem medo nos que o invocam. Não existe trabalho ou despacho a ser realizado em um cemitério sem a presença de Exu Caveira. Com todo este poder devemos mesmo ter muito cuidado ao tentar manipular estas energias pois em caso de erro, e errar é humano, os prejudicados seremos nós mesmos.

Seu Caveira apresenta-se na maioria das vezes como uma caveira, de altura respeitável, vestida de preto e trazendo na mão alguma arma, sendo mais comuns: a foice, o tridente, a espada, o gládio, elmo e escudo, depende a ocasião ele pode aparecer com a cabeça coberta, mostrando a caveira, ou não, pode-se
identificá-lo pelas mãos que parecem grandes garras devido ao tamanho das unhas e dedos que assumem forma de garra pela aparente ausência de tecido. Sua cor é o preto mas não raro usa também velas, ponteiros e pemba vermelha e ou branca. Quando usa só pemba preta ou risca um caixão em seu ponto ele está trabalhando com magia negra, quando usa 9 velas pretas geralmente é Vodu.

É sincretizado com a divindade pagã conhecida, em sânscrito, por Sergulath, e sua falange, pela ordem: Próculo, Haristum, Brulefer, Pentagnony, Aglassis, Sidragosam, Minoson e Bucon, perfazendo um total de nove, número este o preferido de Exu Caveira e por ele utilizado na magia. Também podemos encontrar outros sincretismos de Exu Caveira através dos cultos e épocas. Do sincretismo com a divindade pagã é que vem a estatueta 'demoníaca' de Exu Caveira encontrada em casas de artigos religiosos, acredito que pode ele realmente assumir esta forma digamos assim 'horrenda' ou até mesmo mais assustadora para trabalhar nas esferas abissais ou no limbo (inferno).

Desde que se propôs, juntamente com outros Exus, a trabalhar em conjunto com a Umbanda, exatamente na época de sua divulgação em 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, no início do século passado, é cada vez mais raro ver este Exu, incorporado fora de Terreiros que saraivem às 7 Linhas da Umbanda e 7 Linhas da Quimbanda equilibradamente e na pratica da caridade porém, mesmo que mais raramente, ele continua presente em atividade também em diversos cultos com maior destaque para a Santeira, o Vodu, as Macumbas, o Candomblé e Batuques, cultos aonde tem sempre aparelhos disponíveis para incorporação caso seja invocado.
Deve-se alertar para o fato de existirem espíritos mal

intencionados que tentam passar-se por Exu Caveira; por este ter onipresença e grande poder nas Trevas, estes zombeteiros usam seu nome na presença dos incautos prometendo cometer barbaridades em troca de alguns patacos e oferendas; no plano espiritual também existem vigaristas que procuram semelhantes na Terra, Exu Caveira está presente para colocar estes charlatões em seus devidos lugares.Tenha certeza, Seu Caveira é um Exu bastante antigo, amigo e companheiro. Quando é de nosso merecimento é mais do que irmão; mas deve-se cuidar para digamos assim 'não sair da linha' porque ele pode se tornar um verdadeiro tormento aos que com ele não souberem tratar, devemos lembrar de que ele é o carrasco que nos visitará no segundo fatal.

O poderoso Exu Caveira, O Rei das Catacumbas do Inferno, é sempre merecedor de grande respeito por parte
daqueles que o invocam.




Exu Caveira

Exu Caveira, foi nomeado por Deus (Jesus), quando da criação humana na Terra, para cuidar do desencarne. Da mesma forma que todo espírito, inclusive o meu, o seu, é uma criação, é uma recriação, sempre existiu; entretanto sua consciência é mais antiga que a da maioria dos habitantes desta esfera,anterior a criação da Terra. Seu Caveira habitava as Águas Ancestrais, das quais Deus criou tudo o que vemos e parte do que não vemos.





Para melhor entendimento faço analogia:



Exu Caveira é como um carrasco na Terra é um policial de alta patente no plano Astral. Um Exu lavrador do campo da escuridão, da esquerda; responsável por ceifar a vida terrena, do individuo, no momento certo. Mas não tenha medo, isso porque ele também cuida da vida; ninguém faz hora extra na terra mas o desencarne prematuro existe. Exu entra aí, cuidando dos seus protegidos para que não façam uso indevido de seu livre arbítrio de forma a abreviar sua existência.

 Caveira, teve encarnações como: Caçador, Pajé, Bruxo, Adivinho, Mago, Profeta, Sacerdote, Padre Inquisidor, Xamã, Monge, Senhor de Engenho, Navegador e Jesuíta e outros.

"Exu Caveira, juntamente com seu Tata Caveira é responsável pela administração dos vícios, como objeto de pena Kármica.

O vício é usado como ferramenta de trabalho por Exu, no dever de fazer cumprir o Karma, ou como Provação".



“Entretanto o Livre Arbítrio nos dá o poder da decisão”.




 De repente, começa a avaliar como tem sido a vida, pois em certos períodos muita gente pára, e faz uma espécie de balanço da vida. Nesses momentos de íntima reflexão acabamos não encontrando explicação do porque de certas escolhas feitas por nós ao longo da vida. Muito provavelmente hoje diante da mesma situação, buscaríamos alternativas diferentes. Poderíamos dizer que estamos em constante mutação e o estímulo é exatamente nossa experiência de vida, mas é aí que mora o perigo.


"Quando vieram para cá integrar essa natureza, trouxe escrito na alma todas as respostas possíveis de serem compreendidas". Bastaria estar em total sintonia com a natureza Criadora para que pudesse instintivamente viver a vida terrena em sua plenitude. O que nos difere de todos os outros seres viventes, é exatamente nossa inteligência e capacidade de escolha, é nesse momento que todas as emoções passam a valer mais que nosso instinto. Durante toda vida cometemos muitos equívocos, mas cá entre nós, em todos esses momentos de tomada de decisão, nosso instinto sabia exatamente o correto a fazer, mas nós temos o poder da escolha.


Um dia estaremos sentado frente à janela molhada pela chuva, e o pensamento viajará pelo passado, e ficaremos imaginando como teria sido a vida se nossas escolhas e atitudes não fossem aquelas do tempo. A garganta irá parecer sufocar diante do arrependimento repentino e inexplicável. Será como se nosso instinto estivesse nos cobrando por algo que deixamos de fazer e desconhecemos. Iremos então ler o diário de toda vida vivida, mas não compreenderemos muita coisa, e talvez não reconheçamos mais nossa própria letra, afinal quem escreveu no meu diário?

 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os brasileiros são os mais odiados na internet

Você sabe porque nós brasileiros somos os mais odiados na internet? Então veja!
Infelizmente a falta de postura e ética no meio virtual, deixa o povo brasileiro como os mais detestáveis na rede.
O comportamento baderneiro dos brasileiros incomoda muitos povos, por isso temos acesso restrito ou proibido em diversos servidores de games, fóruns, sites, redes sociais, entre outros.
Somos o povo mais mal educado, irritante e troll da Internet. O falecido Orkut e o atual Facebook são exemplos disso: Quando o Orkut era febre nos outros países, tudo era muito organizado, até que os brasileiros colocaram os pés nas terras googleanas. Foi um Deus nos acuda, tamanha a bagunça que a rede virou. As comunidades de idioma inglês foram invadidas pelos brasileiros, que começavam a falar em português no meio de debates em inglês. Os gringos irritados com tanta bagunça mudaram-se para o Facebook. E assim foi até que os brasileiros também migraram para o Facebook e o “abrasileiraram” ( leia-se Orkutizaram )
Sem título Brasileiro enche essas redes de spam, de gifs que brilham, de páginas de humor, bobagens religiosas. Compartilham qualquer coisa a qualquer tempo. Embora não exista nenhum Código de Ética para Internet, o bom senso deve estar sempre presente.
O brasileiro é um povo que adora a internet, segundo várias pesquisas feitas por grandes portais de tecnologia, o Brasil é o 5º maior país com usuários na internet, o 1º no ranking nas Redes Sociais, e o 4º em número de usuários de jogos online.
E por sermos gigantescos e mal educados, ganhamos uma fama de sermos os “maloqueiros digitais” digamos assim, ou os típicos “trolls da internet”. Sempre quando surge uma rede social nova, ou um jogo online novo, vários brasileiros migram em massa pra lá, para detonar tudo, não propositalmente, mas é o que o brasileiro faz na internet, querendo ou não. E devido a essa má fama, várias empresas de jogos online tomam atitudes para proibir o acesso de jogadores brasileiros.
Segundo essas empresas a proibição de jogadores brasileiros é devido aos seguintes fatores:
  1. São mal educados
  2. Falam palavrões
  3. Desrespeitam jogadores
  4. Incomodam/Atrapalham outros jogadores
  5. Usam muito Cheaters/Hacker
  6. Não falam inglês
  7. Não seguem ou nem ao menos tentam entender as regras básicas.
É claro que em outros países também existem essas pessoas mal intencionadas, isso não é uma coisa exclusivamente do Brasil, mas se somos o povo mais odiado da internet, existe um motivo especial, e esse motivo já é claro, o brasileiro é um povo muito desorganizado e mal educado, alguns podem não concordar mas é a verdade, poucos sabem seguir uma regra estabelecida sem antes sair “quebrando tudo”. E isso não é só nos jogos online, ficamos famosos por destruir o Orkut e começar a destruir o Twitter e o Facebook. O Youtube já está completamente dominado pela praga brasileira com MILHÕES de canais de Minecraft.
Assim, compartilhar no Facebook, por exemplo, a foto de um cão esquartejado, alguma porcaria religiosa ou algo do gênero não é legal, todo mundo sabe disso, exceto a massa brasileira.

O homem não tem poder sobre nada

O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte

O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte

As pessoas não sabem que perderam suas asas desde que colocaram os pés nesta terra. Elas perseguem o definitivo, o concreto, o seguro e o assentado, logo que aterrissaram neste planeta. As únicas mudanças aceitas, durante sua trôpega, minguada e inexpressiva existência, residem no meticuloso planejamento financeiro do seu cotidiano mesquinho.
Porque a vida só tem graça e sentido —  para quem a define por aquisições cumulativas domínios expandidos e decisões inquestionáveis —  se for cercada de possibilidades de enriquecimento contínuo, lascivo e abençoado por leis obscuras e pagãs.
Ninguém se dá conta, porém, de que quanto mais nos rendemos ao fascínio daquilo que consideramos como poder, mais nos afastamos da nossa tão sonhada e pouco tangenciada liberdade.
Inúmeros pensadores, filósofos e escritores ocuparam-se em estudar a aparente onipotência do poder, também frente ao contágio social. Marx, Nietzsche, Foucault são alguns dos que se debruçaram sobre o assunto.
Uma busca alucinada pelos simbolismos do termo, suas acepções à boca corrente e sinônimos mais banais atravessa gerações, curiosidades e demandas.
Ganhar muito dinheiro, submeter à servidão os mais próximos, os parentes, pseudo amigos em profusão, fascinados pelo gigantismo de uma palavra que parece a mais gulosa dentre as destacadas nos dicionários da política e das megalomanias.
Aliás, quem almeja vorazmente consumir doses cada vez mais expressivas de poder, como um maltrapilho viciado perambulando nas ruas da amargura, pretende na verdade acorrentar-se aos grilhões de suas próprias intenções.
Nas brincadeiras infantis, muitos de nós construíamos realidades de mentirinha, nas quais todo o domínio era nosso. Os teatros de marionetes manejavam abúlicos bonecos, movidos por um diretor feroz em apresentações dominicais na praça para saltitantes crianças.
Por outro lado, observando a publicidade, constatamos que ela confere um poder aurático, quase deificado, às suas marcas e serviços. Os detentores de determinado carro, grife de vestuário, as mulheres envoltas por inacessíveis perfumes franceses, relógios cravejados de pedras preciosas, sapatos de salto altíssimo absolutamente customizados e artesanais.
O poder tenciona se distinguir definitivamente das massas.  Ser singular, a qualquer preço, ter um caso alucinante com aquele diretor artístico, o gestor da empresa aonde você trabalha. Posar nua para famosa revista masculina é certeza de ascender às escadas do sucesso fácil. Dinheiro multiplicado, que venha de ações fraudulentas, não importa, porque a alma é pobre e esvaziada de caráter, carrosséis e fantasias.
Festas, holofotes, convites Vips para shows caríssimos e eventos de moda.  Isso é que faz a vida valer a pena para muita gente, inclusive os frequentadores das colunas sociais.
Degustar garrafas mágicas do mais caro champanhe francês do universo, cujo dourado líquido espumante é vertido generosamente pelo corpo dos amantes de ocasião, naquela ilha prive, instalada na costa verde brasileira.
Possuir iates, helicópteros, jatinhos com assinatura exclusiva, despontam como novas prisões de luxo e cordões umbilicais da vil matéria, da qual não se consegue nem se deseja desvencilhar jamais.
A filha mais velha que se aufere o direito de espancar os irmãos menores, dada a hierarquia cronológica. A mulher, garota de programa de alto nível, que se torna acessível à truculência cega de estranhos, mediante um cache bem polpudo.
Ter poder mesmo é chegar perto de silenciosos abismos sem temê-los. Descartar-se do fascínio de inúmeros cartões de crédito, do cabelereiro semanal, também frequentado por atrizes de nossa rede televisiva, para fazer uma simples e milionária escova em seus cacheados e cheirosos cabelos.
Abandonar preceitos, preconceitos, certezas irrefutáveis, lançar-se em tarefas quase impossíveis de olhos fechados e sorriso aberto. Deslindar-se das teias venenosas de aranhas capciosas e quase invisíveis, loucas por apossar-se de uma nova presa.
Deixar partir quem chega, sem perguntar o destino. Desapegar-se de tudo à volta: sonhos, tentações, idealizações e pessoas, pois somente assim conseguiremos compreender o nascer e o entardecer dos dias. Além das mensagens secas, lançadas por  noites sem estrelas e sem brisa.
Vaidade, orgulho, empáfia, ganância perfilam-se como habituais acompanhantes do poder caricato, que se compraz deste séquito.
O poder ainda nos remete ao falo. O pênis robusto cercado de veias, que se ergue duro e decidido a mais um espetacular e memorável gozo. Vale uma pergunta, neste momento. Serão os impotentes, também amantes do poder? Chefetes de quinta categoria, criaturas desamadas, lixo humano, indivíduos muito magros ou muito gordos estarão eventualmente aficionados pelos troféus do comando ostensivo?
Poder rima com felicidade? Esperança, metas, tranquilidade, aconchego? Reflita um pouco. No pequeno livro “laços”, o antipsiquiatra inglês Ronald Laing, estudioso das psicoses, começa o obra com um poema-título, decorrente de uma particular sessão de terapia.
“Eles estão jogando o jogo deles/Eles estão jogando de não jogar um jogo/ Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão/quebrarei as regras do jogo e receberei sua punição/O que devo, pois, é jogar o jogo deles/ o jogo de não ver o jogo que eles jogam.”
Maquiavel, filósofo absolutista e autor de “O Príncipe” assevera que o monarca deverá se portar como um lobo em pele de carneiro. Segundo o pensador, em qualquer situação a mentira e a traição deveriam ser minimizadas porque os fins sempre justificam os meios.
Ao auscultar-se por instantes os bastidores da consciência, será o poder filho dileto do medo, da insegurança e de serializados sentimentos de inferioridade? De imediato, encontram-se ressonâncias com manifestações no autoritarismo de governos despóticos, sanguinários e devastadores, como o de Hitler.
Ânsia incontida de possuir as chaves do céu e do inferno. Busca pelo comando absoluto de tudo e todos. Da juventude infinita, da vida eterna. Porque a morte, afinal, para os ditames da ganância que atravessam os séculos, sempre esteve, claro, fora de cogitação.
PORQUE SÃO CRISTÃOS OS MAIS PERSEGUIDOS EM TODO O MUNDO? Publicado em 4 de Janeiro de 2011 por António da Cunha Duarte Justo PERSEGUIDOS POR PALAVRAS E OBRAS Atentados Suicidas em Igrejas mataram inúmeros Cristãos na Época do Natal António Justo A perseguição aos cristãos matou mais pessoas nos últimos cem anos do que em toda a sua História anterior. O anti-cristianismo raramente é tematizado nos Meios de Comunicação Social pelo facto de os cristãos não se defenderem e assim não se tornarem públicos. Na linguagem corrente o conceito “anti-cristianismo” não é usado. O que não existe nos conceitos não existe na consciência do povo!… Os cristãos são o grupo mais perseguido do mundo. São alvo de racistas e de pretensos anti-racistas. No mundo árabe e asiático são vítimas de assassinos, perseguição e racismo. Entre nós são vítimas da arma da palavra ou do esquecimento. Tornou-se chique, na opinião publicada e em conversas privadas, ser-se anticristão, anti-papa ou até justificar-se os ataques à bomba de hoje com o passado, como cruzadas, etc. Uma luta cultural insidiosa de militantes do secularismo contra o catolicismo/cristianismo procura atribuir, tudo o que houve de abominável na história política e económica, aos cristãos e não ao cidadão ou ao governo secular de então. Sem se diferenciar, reduz-se o Cristianismo a um bidé onde se lavam as próprias impurezas. Tornou-se chique falar de anti-semitismo, de anti-arabismo, anticomunismo, de racismo contra ciganos mas não é chique falar-se de anti-cristianismo ou de anti-catolicismo. Vê-se o argueiro no olho dos outros mas não se nota a tranca que se tem nos próprios olhos. Atacam-se os outros para se defender os seus. O anti-cristianismo é descurado nos Media porque os cristãos não se defendem e porque os extremistas do secularismo iluminado precisam do catolicismo como área de projecção, como terreno inimigo a combater. Quem não tem o Islão e outros como inimigo precisa do cristianismo como adversário. O racismo cultural solidariza-se contra os preconceitos contra minorias de outras culturas e aninha-se na própria cultura numa opinião publicada enegrecedora do Cristianismo e falsificadora dos factos. Vive-se bem da mentira das meias verdades. Facto é que o Homem tem em si partes divinas e partes diabólicas independentemente de seu ser de cristão, maçónico, comunista ou capitalista, etc. Mede-se com duas medidas. O que acontece de mau nos países muçulmanos é visto como obra de extremistas, porém o que aconteceu de mal na História passada é visto como obra dos cristãos. Na nossa sociedade, a difamação de minorias é vista como preconceito, enquanto a difamação de maiorias é legitimada ou aceite. Falta o conhecimento e humanidade. O preconceito contra o Islão deixa de o ser quando se expressa contra os cristãos. Os Media nos seus títulos falam de “violência depois do atentado na Igreja”; as pessoas assassinadas na Igreja escrevem-se em letras pequenas e à margem da notícia. PORQUE SÃO OS CRISTÃOS O GRUPO MAIS PERSEGUIDO NO MUNDO? O Cristianismo é um factor desmancha-prazeres para detentores do poder e carreiristas. Ele coloca o interesse da pessoa no centro e em segundo plano os interesses de economias, ideologias, culturas e estruturas sociais. Todas as estruturas do poder não se sentem bem ao verificarem que uma estrutura global, como o Catolicismo, se erga, globalmente, como voz das pessoas sem voz. Muitos poderosos, especialmente na África e na Ásia, constatam que onde os cristãos estiveram, a democracia, a liberdade política e religiosa, os direitos humanos começaram, por primeiro, a germinar, apesar da corrupção inerente à pessoa. Isto complica-lhes o domínio. O cristianismo não pertence a nenhuma cultura, raça, sistema ou ideologia; o seu lugar é o Homem e o seu Deus encontra-se no interior de cada pessoa independentemente de confissões religiosas e da crença em Deus. Isto perturba e torna-se numa “ameaça” para quem quer fazer o seu negócio, sem problemas de consciência, à custa da pessoa. O cristianismo é perseguido em toda a parte porque é mais que uma crença, é mais que uma religião. Ele é a religião, a filosofia, do Homem individual integrado na comunidade universal sempre a caminho e sempre em revelação! Consequentemente a dignidade humana encontra-se no Homem e não fora dele; ela não se encontra na cultura, na Constituição, na religião nem na nação. O lugar de Deus é o Homem e isto perturba todas as estruturas e ideologias. Por isso estruturas e sistemas de poder da humanidade passarão mas o cristianismo não passará. Tudo o que verdadeiramente serve o Homem no seu ser humano, permanecerá, o resto passará. Assim, as estruturas e as formas do poder serão sempre relativas e passageiras e os poderosos encontrarão a barreira do Homem, com a sua dignidade, ao seu poder. As culturas, os partidos, as formas de governo passarão, o cristianismo, no que tem de matriz humana e cósmica não passará. Naturalmente que muitos cristãos e não cristãos só conhecem e se interessam pelo folclore cristão. Esta é também uma realidade humana. No Natal foram assassinados 86 cristãos na Nigéria; nas Filipinas, devido a um atentado à bomba, foram feridas 11 pessoas numa missa de Natal; no Iraque no Natal houve atentados a casas de cristãos e foram impedidas as missas devido a ameaças de islamistas; na passagem de ano, no Egipto, com um atentado a uma Igreja foram mortos 21 cristãos e 97 feridos; no Paquistão donzelas e mulheres cristãs são violadas por muçulmanos para assim ficarem estigmatizadas como “impuras” na sua cultura. Meninas cristãs de 12-13 anos são violadas por muçulmanos, ficando assim impedidas de casar. Por estes e outros meios se impede a proliferação dos cristãos. O maior problema está no facto de tudo isto acontecer no meio do povo sem uma palavra que se levante em defesa dos inocentes. Segundo o Corão todos os meios que sirvam o Islão são legítimos. O atentado assassino do Egipto é atribuído a uma rede de terror de fora do país e o governo egípcio fala como se os cristãos coptas do Egipto não fossem discriminados. Por um lado são discriminados e por outro lado, procura-se através de ofertas de dinheiro e de ofertas de perspectivas profissionais levá-los à conversão, como me testemunhava um estudante egípcio na Alemanha. No momento em que os muçulmanos atingem 50% da população duma região ou país, passam à ofensiva, exigindo a independência e discriminando os outros com as suas leis de maneira a torná-los minoria. No sentido islâmico, a História da perseguição muçulmana nos países onde dominam é uma História de “sucesso”, como mostra a perseguição da Turquia aos cristãos com o holocausto aos cristãos arménios. Nos últimos 100 anos, a Turquia conseguiu reduzir os cristãos de 25% da população para 0,1% actualmente. A discriminação no Sudão, no Egipto e muitos outros países segue a mesma lógica. No Iraque a perseguição em curso contra os cristãos conseguiu reduzi-los de 1,5 milhões para menos de meio milhão. Países islâmicos tornaram-se no Inferno ou pelo menos no Purgatório dos Cristãos embora esses países sejam a sua terra natal. Os nossos políticos não acreditam no “Inferno”, por isso não há uma perspectiva de paraíso para eles, nos países em que são perseguidos. O filósofo judeu Bernard Henry Levy constata que “os cristãos formam hoje, à escala planetária, a comunidade perseguida da forma mais violenta e na maior impunidade.” Esta realidade é calada e até justificada, como se todo o mal do mundo fosse culpa dos cristãos. Esta realidade tem de ser calada para se ter uma “boa consciência”! António da Cunha Duarte Justo

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PORQUE SÃO CRISTÃOS OS MAIS PERSEGUIDOS EM TODO O MUNDO? Publicado em 4 de Janeiro de 2011 por António da Cunha Duarte Justo PERSEGUIDOS POR PALAVRAS E OBRAS Atentados Suicidas em Igrejas mataram inúmeros Cristãos na Época do Natal António Justo A perseguição aos cristãos matou mais pessoas nos últimos cem anos do que em toda a sua História anterior. O anti-cristianismo raramente é tematizado nos Meios de Comunicação Social pelo facto de os cristãos não se defenderem e assim não se tornarem públicos. Na linguagem corrente o conceito “anti-cristianismo” não é usado. O que não existe nos conceitos não existe na consciência do povo!… Os cristãos são o grupo mais perseguido do mundo. São alvo de racistas e de pretensos anti-racistas. No mundo árabe e asiático são vítimas de assassinos, perseguição e racismo. Entre nós são vítimas da arma da palavra ou do esquecimento. Tornou-se chique, na opinião publicada e em conversas privadas, ser-se anticristão, anti-papa ou até justificar-se os ataques à bomba de hoje com o passado, como cruzadas, etc. Uma luta cultural insidiosa de militantes do secularismo contra o catolicismo/cristianismo procura atribuir, tudo o que houve de abominável na história política e económica, aos cristãos e não ao cidadão ou ao governo secular de então. Sem se diferenciar, reduz-se o Cristianismo a um bidé onde se lavam as próprias impurezas. Tornou-se chique falar de anti-semitismo, de anti-arabismo, anticomunismo, de racismo contra ciganos mas não é chique falar-se de anti-cristianismo ou de anti-catolicismo. Vê-se o argueiro no olho dos outros mas não se nota a tranca que se tem nos próprios olhos. Atacam-se os outros para se defender os seus. O anti-cristianismo é descurado nos Media porque os cristãos não se defendem e porque os extremistas do secularismo iluminado precisam do catolicismo como área de projecção, como terreno inimigo a combater. Quem não tem o Islão e outros como inimigo precisa do cristianismo como adversário. O racismo cultural solidariza-se contra os preconceitos contra minorias de outras culturas e aninha-se na própria cultura numa opinião publicada enegrecedora do Cristianismo e falsificadora dos factos. Vive-se bem da mentira das meias verdades. Facto é que o Homem tem em si partes divinas e partes diabólicas independentemente de seu ser de cristão, maçónico, comunista ou capitalista, etc. Mede-se com duas medidas. O que acontece de mau nos países muçulmanos é visto como obra de extremistas, porém o que aconteceu de mal na História passada é visto como obra dos cristãos. Na nossa sociedade, a difamação de minorias é vista como preconceito, enquanto a difamação de maiorias é legitimada ou aceite. Falta o conhecimento e humanidade. O preconceito contra o Islão deixa de o ser quando se expressa contra os cristãos. Os Media nos seus títulos falam de “violência depois do atentado na Igreja”; as pessoas assassinadas na Igreja escrevem-se em letras pequenas e à margem da notícia. PORQUE SÃO OS CRISTÃOS O GRUPO MAIS PERSEGUIDO NO MUNDO? O Cristianismo é um factor desmancha-prazeres para detentores do poder e carreiristas. Ele coloca o interesse da pessoa no centro e em segundo plano os interesses de economias, ideologias, culturas e estruturas sociais. Todas as estruturas do poder não se sentem bem ao verificarem que uma estrutura global, como o Catolicismo, se erga, globalmente, como voz das pessoas sem voz. Muitos poderosos, especialmente na África e na Ásia, constatam que onde os cristãos estiveram, a democracia, a liberdade política e religiosa, os direitos humanos começaram, por primeiro, a germinar, apesar da corrupção inerente à pessoa. Isto complica-lhes o domínio. O cristianismo não pertence a nenhuma cultura, raça, sistema ou ideologia; o seu lugar é o Homem e o seu Deus encontra-se no interior de cada pessoa independentemente de confissões religiosas e da crença em Deus. Isto perturba e torna-se numa “ameaça” para quem quer fazer o seu negócio, sem problemas de consciência, à custa da pessoa. O cristianismo é perseguido em toda a parte porque é mais que uma crença, é mais que uma religião. Ele é a religião, a filosofia, do Homem individual integrado na comunidade universal sempre a caminho e sempre em revelação! Consequentemente a dignidade humana encontra-se no Homem e não fora dele; ela não se encontra na cultura, na Constituição, na religião nem na nação. O lugar de Deus é o Homem e isto perturba todas as estruturas e ideologias. Por isso estruturas e sistemas de poder da humanidade passarão mas o cristianismo não passará. Tudo o que verdadeiramente serve o Homem no seu ser humano, permanecerá, o resto passará. Assim, as estruturas e as formas do poder serão sempre relativas e passageiras e os poderosos encontrarão a barreira do Homem, com a sua dignidade, ao seu poder. As culturas, os partidos, as formas de governo passarão, o cristianismo, no que tem de matriz humana e cósmica não passará. Naturalmente que muitos cristãos e não cristãos só conhecem e se interessam pelo folclore cristão. Esta é também uma realidade humana. No Natal foram assassinados 86 cristãos na Nigéria; nas Filipinas, devido a um atentado à bomba, foram feridas 11 pessoas numa missa de Natal; no Iraque no Natal houve atentados a casas de cristãos e foram impedidas as missas devido a ameaças de islamistas; na passagem de ano, no Egipto, com um atentado a uma Igreja foram mortos 21 cristãos e 97 feridos; no Paquistão donzelas e mulheres cristãs são violadas por muçulmanos para assim ficarem estigmatizadas como “impuras” na sua cultura. Meninas cristãs de 12-13 anos são violadas por muçulmanos, ficando assim impedidas de casar. Por estes e outros meios se impede a proliferação dos cristãos. O maior problema está no facto de tudo isto acontecer no meio do povo sem uma palavra que se levante em defesa dos inocentes. Segundo o Corão todos os meios que sirvam o Islão são legítimos. O atentado assassino do Egipto é atribuído a uma rede de terror de fora do país e o governo egípcio fala como se os cristãos coptas do Egipto não fossem discriminados. Por um lado são discriminados e por outro lado, procura-se através de ofertas de dinheiro e de ofertas de perspectivas profissionais levá-los à conversão, como me testemunhava um estudante egípcio na Alemanha. No momento em que os muçulmanos atingem 50% da população duma região ou país, passam à ofensiva, exigindo a independência e discriminando os outros com as suas leis de maneira a torná-los minoria. No sentido islâmico, a História da perseguição muçulmana nos países onde dominam é uma História de “sucesso”, como mostra a perseguição da Turquia aos cristãos com o holocausto aos cristãos arménios. Nos últimos 100 anos, a Turquia conseguiu reduzir os cristãos de 25% da população para 0,1% actualmente. A discriminação no Sudão, no Egipto e muitos outros países segue a mesma lógica. No Iraque a perseguição em curso contra os cristãos conseguiu reduzi-los de 1,5 milhões para menos de meio milhão. Países islâmicos tornaram-se no Inferno ou pelo menos no Purgatório dos Cristãos embora esses países sejam a sua terra natal. Os nossos políticos não acreditam no “Inferno”, por isso não há uma perspectiva de paraíso para eles, nos países em que são perseguidos. O filósofo judeu Bernard Henry Levy constata que “os cristãos formam hoje, à escala planetária, a comunidade perseguida da forma mais violenta e na maior impunidade.” Esta realidade é calada e até justificada, como se todo o mal do mundo fosse culpa dos cristãos. Esta realidade tem de ser calada para se ter uma “boa consciência”! António da Cunha Duarte Justo

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O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte

O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte

As pessoas não sabem que perderam suas asas desde que colocaram os pés nesta terra. Elas perseguem o definitivo, o concreto, o seguro e o assentado, logo que aterrissaram neste planeta. As únicas mudanças aceitas, durante sua trôpega, minguada e inexpressiva existência, residem no meticuloso planejamento financeiro do seu cotidiano mesquinho.
Porque a vida só tem graça e sentido —  para quem a define por aquisições cumulativas domínios expandidos e decisões inquestionáveis —  se for cercada de possibilidades de enriquecimento contínuo, lascivo e abençoado por leis obscuras e pagãs.
Ninguém se dá conta, porém, de que quanto mais nos rendemos ao fascínio daquilo que consideramos como poder, mais nos afastamos da nossa tão sonhada e pouco tangenciada liberdade.
Inúmeros pensadores, filósofos e escritores ocuparam-se em estudar a aparente onipotência do poder, também frente ao contágio social. Marx, Nietzsche, Foucault são alguns dos que se debruçaram sobre o assunto.
Uma busca alucinada pelos simbolismos do termo, suas acepções à boca corrente e sinônimos mais banais atravessa gerações, curiosidades e demandas.
Ganhar muito dinheiro, submeter à servidão os mais próximos, os parentes, pseudo amigos em profusão, fascinados pelo gigantismo de uma palavra que parece a mais gulosa dentre as destacadas nos dicionários da política e das megalomanias.
Aliás, quem almeja vorazmente consumir doses cada vez mais expressivas de poder, como um maltrapilho viciado perambulando nas ruas da amargura, pretende na verdade acorrentar-se aos grilhões de suas próprias intenções.
Nas brincadeiras infantis, muitos de nós construíamos realidades de mentirinha, nas quais todo o domínio era nosso. Os teatros de marionetes manejavam abúlicos bonecos, movidos por um diretor feroz em apresentações dominicais na praça para saltitantes crianças.
Por outro lado, observando a publicidade, constatamos que ela confere um poder aurático, quase deificado, às suas marcas e serviços. Os detentores de determinado carro, grife de vestuário, as mulheres envoltas por inacessíveis perfumes franceses, relógios cravejados de pedras preciosas, sapatos de salto altíssimo absolutamente customizados e artesanais.
O poder tenciona se distinguir definitivamente das massas.  Ser singular, a qualquer preço, ter um caso alucinante com aquele diretor artístico, o gestor da empresa aonde você trabalha. Posar nua para famosa revista masculina é certeza de ascender às escadas do sucesso fácil. Dinheiro multiplicado, que venha de ações fraudulentas, não importa, porque a alma é pobre e esvaziada de caráter, carrosséis e fantasias.
Festas, holofotes, convites Vips para shows caríssimos e eventos de moda.  Isso é que faz a vida valer a pena para muita gente, inclusive os frequentadores das colunas sociais.
Degustar garrafas mágicas do mais caro champanhe francês do universo, cujo dourado líquido espumante é vertido generosamente pelo corpo dos amantes de ocasião, naquela ilha prive, instalada na costa verde brasileira.
Possuir iates, helicópteros, jatinhos com assinatura exclusiva, despontam como novas prisões de luxo e cordões umbilicais da vil matéria, da qual não se consegue nem se deseja desvencilhar jamais.
A filha mais velha que se aufere o direito de espancar os irmãos menores, dada a hierarquia cronológica. A mulher, garota de programa de alto nível, que se torna acessível à truculência cega de estranhos, mediante um cache bem polpudo.
Ter poder mesmo é chegar perto de silenciosos abismos sem temê-los. Descartar-se do fascínio de inúmeros cartões de crédito, do cabelereiro semanal, também frequentado por atrizes de nossa rede televisiva, para fazer uma simples e milionária escova em seus cacheados e cheirosos cabelos.
Abandonar preceitos, preconceitos, certezas irrefutáveis, lançar-se em tarefas quase impossíveis de olhos fechados e sorriso aberto. Deslindar-se das teias venenosas de aranhas capciosas e quase invisíveis, loucas por apossar-se de uma nova presa.
Deixar partir quem chega, sem perguntar o destino. Desapegar-se de tudo à volta: sonhos, tentações, idealizações e pessoas, pois somente assim conseguiremos compreender o nascer e o entardecer dos dias. Além das mensagens secas, lançadas por  noites sem estrelas e sem brisa.
Vaidade, orgulho, empáfia, ganância perfilam-se como habituais acompanhantes do poder caricato, que se compraz deste séquito.
O poder ainda nos remete ao falo. O pênis robusto cercado de veias, que se ergue duro e decidido a mais um espetacular e memorável gozo. Vale uma pergunta, neste momento. Serão os impotentes, também amantes do poder? Chefetes de quinta categoria, criaturas desamadas, lixo humano, indivíduos muito magros ou muito gordos estarão eventualmente aficionados pelos troféus do comando ostensivo?
Poder rima com felicidade? Esperança, metas, tranquilidade, aconchego? Reflita um pouco. No pequeno livro “laços”, o antipsiquiatra inglês Ronald Laing, estudioso das psicoses, começa o obra com um poema-título, decorrente de uma particular sessão de terapia.
“Eles estão jogando o jogo deles/Eles estão jogando de não jogar um jogo/ Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão/quebrarei as regras do jogo e receberei sua punição/O que devo, pois, é jogar o jogo deles/ o jogo de não ver o jogo que eles jogam.”
Maquiavel, filósofo absolutista e autor de “O Príncipe” assevera que o monarca deverá se portar como um lobo em pele de carneiro. Segundo o pensador, em qualquer situação a mentira e a traição deveriam ser minimizadas porque os fins sempre justificam os meios.
Ao auscultar-se por instantes os bastidores da consciência, será o poder filho dileto do medo, da insegurança e de serializados sentimentos de inferioridade? De imediato, encontram-se ressonâncias com manifestações no autoritarismo de governos despóticos, sanguinários e devastadores, como o de Hitler.
Ânsia incontida de possuir as chaves do céu e do inferno. Busca pelo comando absoluto de tudo e todos. Da juventude infinita, da vida eterna. Porque a morte, afinal, para os ditames da ganância que atravessam os séculos, sempre esteve, claro, fora de cogitação.