quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Ciência: O que é um psicopata


O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática.
Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.
No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alhe io. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.
Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes.
Especialistas garantem que a maioria dos psicopatas é homem, mas os motivos para esta desproporção entre os sexos são desconhecidos. A freqüência na população é aparentemente a mesma no Ocidente e no Oriente, inclusive em culturas menos expostas às mídias modernas. Em um estudo de 1976 a antropóloga a mericana Jane M. Murphy, na época na Universidade Harvard, analisou um grupo indígena, conhecido como inuíte, que vive no norte do Canadá, próximo ao estreito de Bering. Falantes do yupik, eles usam o termo kunlangeta para descrever “um homem que mente de forma contumaz, trapaceia e rouba coisas e (…) se aproveita sexualmente de muitas mulheres; alguém que não se presta a reprimendas e é sempre trazido aos anciãos para ser punido”. Quando Murphy perguntou a um inuit o que o grupo normalmente faria com um kunlangeta, ele respondeu: “Alguém o empurraria para a morte quando ninguém estivesse olhando”.
O instrumento mais usado entre os especialistas para diagnosticar a psicopatia é o teste Psychopathy checklist-revised (PCL-R), desenvolvido pelo psicólogo canadense Robert D. Hare, da Universidade da Colúmbia Britânica. O método inclui uma entrevista padronizada com os pacientes e o levantamento do seu histórico pessoal, inclusive dos antec edentes criminais. O PCL-R revela três grandes grupos de características que geralmente aparecem sobrepostas, mas podem ser analisadas separadamente: deficiências de caráter (como sentimento de superioridade e megalomania), ausência de culpa ou empatia e comportamentos impulsivos ou criminosos (incluindo promiscuidade sexual e prática de furtos).
Três mitos
Apesar das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que todos os psicopatas são violentos.
Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que essas pessoas recorram à violência física e sexual. Além disso, alguns serial killers já acompanhados manifestavam muitos traços psicopáticos, como a capacidade de encantar o interlocutor desprevenido e a total ausência de culpa e empatia. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata.
Dias depois do incidente da Universidade Virginia Tech, em 16 de abril de 2007, em que o estudante Seung-Hui Cho cometeu vários assassinatos e depois se suicidou, muitos jornalistas descreveram o assassino como “psicopata”. O rapaz, porém, exibia poucos traços de psicopatia. Quem o conheceu descreveu o jovem como extremamente tímido e retraído.
Infelizmente, a quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR) reforça ainda mais a confusão entre psicopatia e violência. Nele o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), caracterizado por longo histórico de comportamento criminoso e muitas vezes agressivo, é considerado sinônimo de psicopatia. Porém, comprovadamente há poucas coincidências entre as duas condições.
O segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os psicóticos raramente são psicopatas.
O terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que é um problema sem tratamento. No seriado Família Soprano, dra. Melfi, a psiquiatra que acompanha o mafioso Tony Soprano, encerra o tratamento psicoterápico porque um colega a convence de que o paciente era um psicopata clássico e, portanto, intratável. Diversos comportamentos de Tony, entretanto, como a lealdade à família e o apego emocional a um grupo de patos que ocuparam a sua piscina, tornam a decisão da terapeuta injustificável.
Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pesso a a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.

PARA CONHECER MAIS

Without conscience – The disturbing world of the psychopaths among us. Robert D. Hare. Guilford Press, 1999.
Handbook of psychopathy. Christopher J. Patrick (ed.), Guilford Press, 2007.

Os animais-ESPIRITUALIDADE


Os animais tem alma? Existem animais no mundo espiritual?
Os animais possuem um princípio inteligente, diferente daquele que anima o homem. Mas não pensam, nem possuem o livre arbítrio, apenas instinto. Quando desencarnam, o princípio espiritual que o animou é reaproveitado em outro animal que vai nascer, quase que imediatamente, não existindo, portanto, animais no mundo espiritual, como comumente se lê em obras psicografadas.

Espíritos de animais, plantas e outras formas de vida, podem um dia chegar a condição de Espíritos humanos? No caso da resposta ser negativa, não seria uma forma de desigualdade Divina? Também gostaria de saber sobre os objetos materiais. Nunca evoluirão?
Tudo se encadeia na natureza e Deus não seria injusto impondo uma condição de inferioridade a determinadas formas espirituais. Os Espíritos superiores ensinam que a Criação se fundamenta em três princípios: Deus, Espírito e Matéria. A matéria é o meio onde o Espírito encontra condições para atingir a perfeição através das muitas encarnações. Todos os seres vivos são constituídos por um princípio espiritual que os animam. Este princípio espiritual um dia será um ser inteligente, dotado de vida moral e destinado a atingir o estado de angelitude. Quanto à matéria propriamente dita, ela também está sujeita ao processo de evolução conforme nos ensina a ciência terrena. Basta ver a situação física do planeta hoje e compará-lo ao que era há milhões de anos atrás. Mas é preciso considerar que o elemento material é apenas o instrumento de progresso do Espírito. Não se pode confundir nenhum desses princípios que são absolutamente distintos.

Nos livros de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, como também os livros da médium Ivone A. Pereira "Memórias de um Suicida", falam a respeito de animais que ajudam no plano espiritual. Onde está na Codificação de Allan Kardec o ponto ou resposta que diz não existirem animais no plano espiritual?
A resposta à sua pergunta está no Livro dos Médiuns, pergunta 283, sobre Evocações de animais, onde o Espírito de Verdade afirma textualmente que "no mundo dos Espíritos não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos humanos". Questionado por Allan Kardec sobre o fato de certas pessoas terem evocado animais e recebido respostas, ele responde: "Evoque um rochedo e ele responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a falar sobre tudo." Ainda encontrará precioso ensinamento sobre o assunto também no Livro dos Médiuns, questão 236, onde Erasto discorre sobre a suposta mediunidade dos animais e nos dá a clareza dos fatos. Busque também no Livro dos Espíritos, questão 600, onde os Espíritos Superiores deixam claro que o princípio que dá vida ao animal é utilizado quase que imediatamente para novas experiências na matéria, não sendo Espírito errante e não se pondo, obviamente, em relação com outras criaturas. Daí se conclui que as obras que divulgaram essas teorias estão em patente contradição com a Doutrina codificada por Allan Kardec.

Se os animais quase não existem do outro lado, se não têm alma e sim um princípio inteligente, se o princípio inteligente é reaproveitado em outro animal, como eles evoluem? Como se individualizam? Não se reconhecem instintos individuais?
Jamais se afirmou que o animal não tem alma. Se têm um princípio inteligente tem algo mais que a matéria e isso é a alma ou o Espírito. O Espírito dos animais são reaproveitados geralmente na mesma espécie, pois a natureza não dá saltos. Só depois de muitas encarnações numa mesma espécie o Espírito que anima o animal muda para uma outra espécie. São focos de inteligência já individualizados, embora mantenham-se cativos de um Espírito grupo, caracterizado pela própria espécie no mundo invisível. Os instintos fazem parte da individualidade, portanto os animais são individualidades também. Em cada espécie ele assimila determinadas características do futuro ser pensante. Necessário entender, porém, que o Espírito não precisa passar por todas as espécies existentes, para chegar à condição de ser humano.

Se o sofrimento com certas doenças significa às vezes problemas relacionados com vidas passadas, porque então alguns animais passam pelos mesmos problemas se eles não possuem Espírito?
Os animais possuem um princípio inteligente, portanto possuem Espírito, porém, numa fase evolutiva anterior à do homem. Quando ficam doentes, não sofrem no sentido em que normalmente se entende o sofrimento. No homem, o sofrimento funciona como um depurador de suas imperfeições, estimulando seu desenvolvimento moral. O animal não tem vida moral e por isso suas dores são apenas físicas. Claro, todas essas impressões positivas e negativas fazem parte das experiências que se acumulam para edificar o futuro ser pensante. Certamente não se está afirmando que o animal (a espécie física) de hoje será o homem de amanhã. Não. O Espírito que o anima, sim. Viaja nos caminhos da evolução em busca do reino dos seres que pensam.

Se obras psicografadas como as de André Luiz, entram em contradição com as obras de Allan Kardec, por exemplo, quanto à existência ou não de animais no mundo espiritual, que segurança temos da validade dessas obras? Será que toda essa literatura espírita sobre a vida no mundo espiritual (André Luiz, Luís Sérgio e outros) é um logro? Não sabemos mais do que no século XIX?
Não afirmou-se que as obras desses autores é logro. Mas existem algumas contradições com os ensinos dos Espíritos superiores. Por isso deve-se estudar e estudar muito. É a única forma de sabermos distinguir a verdade da impostura. A psicografia de Chico Xavier é de grande credibilidade, mas não incontestável, pois ele não é perfeito. Não devemos acreditar cegamente no que os Espíritos dizem sem um exame racional. É isso o que nos ensina Allan Kardec. Isso, no entanto, não invalida sua obra nem de outros médiuns idôneos. A gente só precisa saber o que é certo, para aproveitar o que é útil. Como diz Paulo de Tarso: analisa tudo, retenha o que é bom. Os Espíritos que se aborrecem quando são questionados são de natureza atrasada, segundo o ensinamento do Espírito de Verdade. Se tivermos que rever algum ponto onde se tenha dado uma interpretação errônea das idéias da Codificação o faremos sem o menor constrangimento, desde que seja para o restabelecimento da verdade que emana dos ensinamentos dos Espíritos superiores.

Nota: Veja a mensagem dos Espíritos sobre o assunto, recebida no Grupo Espírita Bezerra de Menezes e Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec.
O sacrifício de animais para acabar com o sofrimento de uma doença incurável ou para controle populacional é certo? Como o Espiritismo vê esta questão?
O sacrifício de animais é visto com naturalidade pela Doutrina Espírita, tendo em vista a natureza evolutiva do nosso planeta que abriga seres que ainda necessitam sacrificar animais para satisfazer suas necessidades básicas de nutrição, por exemplo. Tendo o sacrifício dos animais um fim útil, não sendo para satisfazer desejos insanos (como, por exemplo, as brigas de galo, os clubes de caça etc.), não pode se configurar em delito. Certamente que o julgamento da necessidade ou não do ato deve ser baseado nas leis vigentes estabelecidas, caso contrário o mundo entraria em colapso por desequilíbrio do ecossistema.

Como podemos considerar a eutanásia nos animais? Sendo atribuído aos animais um princípio espiritual, que após a sua morte são utilizados quase que imediatamente, e não uma alma propriamente dita. Seria permitida então a eutanásia, em animais, em casos terminais?
A eutanásia nos animais não pode ser analisada da mesma forma como nos homens. O sacrifício de animais é visto com naturalidade pela Doutrina Espírita, tendo em vista a natureza evolutiva do nosso planeta que abriga seres que ainda necessitam sacrificar animais para satisfazer suas necessidades básicas de nutrição, por exemplo. Tendo o sacrifício dos animais um fim útil, não sendo para satisfazer desejos insanos (como, por exemplo, as brigas de galo, os clubes de caça etc.), não pode se configurar em delito. Certamente que o julgamento da necessidade ou não do ato deve ser baseado nas leis vigentes estabelecidas, caso contrário o mundo entraria em colapso por desequilíbrio do ecossistema. A eutanásia segue o mesmo raciocínio, pois o sacrifício geralmente é para livrar o animal de um grande sofrimento.
Quando ficam doentes, os animais não sofrem no sentido em que normalmente se entende o sofrimento. No homem, o sofrimento funciona como um depurador de suas imperfeições, estimulando seu desenvolvimento moral. O animal não tem vida moral e por isso suas dores são apenas físicas. Claro, todas essas impressões positivas e negativas fazem parte das experiências que se acumulam para edificar o futuro ser pensante. Portanto, o sacrifício dos animais em fase terminal de doença não constitui uma infração à lei. Mas se esse ato, trouxer dor e remorso para quem o faz ou o autoriza, melhor não praticar e esperar a morte naturalmente.

Após a morte dos animais a alma irá habitar que plano? A morada dos Espíritos? Eles continuarão a ser os mesmos? A alma dos animais voltará ao todo? Seu dono quando desencarnar poderá vê-lo?
A vida dos animais não tem a mesma relevância que a vida dos homens. Eles não têm a compreensão das leis, portanto não estão sujeitos a ela com a mesma intensidade e responsabilidade dos homens. Quando morrem vão para os planos espirituais também, mas não para aprender, como fazem os homens, mas para uma breve parada, digamos assim, aguardando que seu princípio espiritual seja quase que imediatamente aproveitado em outros corpos de animais. O instinto de afeto que desenvolvem com seus donos é explicado pelo amor que recebem deles (dos donos) que faz com que neles se desenvolva um instinto, mas que não é um sentimento desenvolvido como nos homens. Basta ver que quando se separam de seus donos rapidamente esquecem seus "afetos" e se acostumam com outro. Se olharem novamente os antigos donos poderão ser estimulados neurologicamente e lembrar da antiga vida, mas isso nada tem a ver com laços verdadeiros de afeto existente entre os homens. As pessoas que se ligam exageradamente a animais geralmente tem grande dificuldade nas relações interpessoais. Os animais não se encontram na vida espiritual com seus donos, principalmente porque não se demoram por lá. O local onde estão é no plano espiritual mais próximo da Terra, nas colônias transitórias. Nos planos superiores da vida não se vê animais.

Por que se verifica entre os animais domésticos, uma variada diferença de sorte? Uns vivem na opulência e outros vagam pelas ruas em estado de miséria. Há algum tipo de débito reencarnatório?
Os animais se encontram numa fase primitiva da evolução. Possuem rudimentos da inteligência, mas não pensam. Como não possuem consciência de si mesmos, não estão sujeitos ao processo expiatório. A situação de abandono em que vivem alguns animais domésticos é reflexo da inferioridade moral das espécie humana. Dentre outras coisas, seria mais justo que o homem cuidasse melhor deles. Se observarmos os animais na natureza, longe dos lugares onde vivem os humanos, veremos que todos são tratados por Deus da mesma forma. Cada um deles vive a experiência orgânica de que necessita naquele estágio, tendo em vista caminharem para um grau mais elevado na hierarquia do Espírito. Recomendamos o estudo das questões 592 e 610 de O Livro dos Espíritos.

OS DOENTES MENTAIS E A LOUCURA

QUESTÕES DE "O LIVRO DOS ESPÍRITOS"

371. A opinião de que os deficientes mentais teriam uma alma inferior tem fundamento?
      Não. Eles têm uma alma humana, muitas vezes mais inteligente do que pensais, que sofre da insuficiência dos meios que tem para se manifestar, assim como o mudo sofre por não poder falar.
372. Qual o objetivo da Providência ao criar seres infelizes como os loucos e os deficientes mentais?
      São Espíritos em punição que habitam corpos deficientes. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento que experimentam e com a dificuldade que têm de se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados.
       Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não  fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.
 * É preciso distinguir o estado normal do estado patológico. No estado normal, a moral suplanta o obstáculo que a matéria lhe opõe. Mas há casos em que a matéria oferece tanta resistência que as manifestações são limitadas ou deturpadas, como na deficiência mental e na loucura. São casos patológicos e, nesse estado, não desfrutando a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a livra da responsabilidade de seus atos.
      É uma expiação obrigatória pelo abuso que fizeram de certas faculdades; é um tempo de prisão.
      Sim. A genialidade torna-se às vezes um flagelo quando dela se abusa.
* A superioridade moral nem sempre está em razão da superioridade intelectual, e os maiores gênios podem ter muito para expiar. Daí resulta freqüentemente para eles uma existência inferior à que tiveram e causa de sofrimentos. As dificuldades que o Espírito experimenta em suas manifestações são para ele como correntes que impedem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que deficientes mentais são aleijados do cérebro, assim como o coxo das pernas e o cego dos olhos.
374. O deficiente mental, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental?
      Sim, muito freqüentemente; ele compreende que as correntes que impedem seu vôo são uma prova e uma expiação.
      O Espírito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente sua ação sobre a matéria. Porém, encarnado, se encontra em condições bem diferentes e na obrigatoriedade de só fazer isso com a ajuda de órgãos especiais. Se uma parte ou o conjunto desses órgãos for alterado, sua ação ou suas impressões, no que diz respeito a esses órgãos, são interrompidas. Se ele perde os olhos, torna-se cego; se perde o ouvido, torna-se surdo, etc. Imagina agora que o órgão que dirige os efeitos da inteligência e da vontade, o cérebro, seja parcial ou inteiramente danificado ou modificado e ficará fácil compreender que o Espírito, podendo dispor apenas de órgãos incompletos ou deturpados, deverá sentir uma perturbação da qual, por si mesmo e em seu íntimo, tem perfeita consciência, mas não é senhor para deter-lhe o curso, não tem como alterar essa condição.
      Sim. Mas é preciso não perder de vista que, da mesma forma como o Espírito age sobre a matéria, também a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e que o Espírito pode se encontrar momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões. Pode acontecer que, depois de um período longo, quando a loucura durou muito tempo, a repetição dos mesmos atos acabe por ter sobre o Espírito uma influência da qual somente se livra quando estiver completamente desligado de todas as impressões materiais.
      O Espírito sofre com o constrangimento e a impossibilidade de se manifestar livremente, por isso procura na morte um meio de romper seus laços.
      Pode se ressentir durante algum tempo após a morte, até que esteja completamente desligado da matéria, como o homem que acorda se ressente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulha.
378. Como a alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito após a morte do corpo?
      É uma lembrança. Um peso oprime o Espírito e, como não teve conhecimento de tudo que se passou durante sua loucura, precisa sempre de um certo tempo para se pôr a par de tudo; é por isso que, quanto mais tempo durar a loucura durante a vida terrena, mais tempo dura a opressão, o constrangimento após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente, durante algum tempo, da impressão dos laços que os uniam.


372A.  É exato dizer que os órgãos não têm influência sobre as faculdades?

373. Qual pode ser o mérito da existência para seres que, como os loucos e os deficientes mentais, não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir?
373A. O corpo de um deficiente mental pode, assim, abrigar um Espírito que teria animado um homem de gênio em uma existência precedente?


375. Qual é a situação do Espírito na loucura?
375a. então sempre o corpo e não o Espírito que está desorganizado?

376. Por que a loucura leva algumas vezes ao suicídio?

377. O Espírito de um doente mental é afetado, depois da morte, pelo desarranjo de suas faculdades?




Livro: O Livro dos Espíritos
Autor/Codificador: Allan Kardec

PSICOPATIA E ESPIRITISMO


“A psicopatia ou personalidade antissocial é um transtorno de personalidade, e não uma doença mental como a esquizofrenia e a depressão, por exemplo. Desta forma, como todo transtorno de personalidade, o tratamento é difícil, primeiro porque não há um remédio que trate disso especificamente, estes entram como sintomáticos; segundo porque o paciente não reconhece o problema, sendo complicada sua aderência a uma psicoterapia, terapêutica que apresentaria uma melhor eficácia.
No caso do antissocial, os indivíduos são caracterizados pela indiferença social e insensibilidade pelos sentimentos alheios; irresponsabilidade e desrespeito por normas e regras sociais; incapacidade de sentir culpa, remorso e de aprender com os erros.
O Espiritismo reconhece, sim, este problema. Tendo em vista a imortalidade da alma, identifica-o, porém, como um estado transitório de imperfeição do ser. São, em geral, Espíritos, por diversos motivos, com grande revolta para com as Leis Divinas. Muito dificilmente, contudo, eles conseguirão uma melhora total (às vezes, nem mesmo parcial) em uma existência somente. Só no decorrer das reencarnações, problemas tão graves são solucionados. Eles também estão destinados à perfeição, e um dia (certamente com grande demora para a nossa mentalidade humana) irão tomar consciência da Lei Divina e ter a capacidade de sentir culpa.
Cada ser quando desencarna fica ‘no céu ou no inferno’ mental que criou e isto não é diferente com estas pessoas.
Como todo ser, eles também foram criados simples e ignorantes da Lei por Deus. E, como todos temos liberdade de escolha, a existência deste problema não é uma criação do Pai, mas uma liberdade individual.  Muitas vezes, Espíritos desencarnados ‘pseudocomandantes das trevas’ são claramente ‘psicopatas’, quando desafiam as Leis do Universo, querendo fazer justiça com as próprias mãos, ou ficando insistentemente no mal. Quando, no entanto, o erro afeta muitas pessoas e é muito profundo, a liberdade deles é constrangida, por exemplo, em processos de reencarnações compulsórias em corpos com grandes deficiências, em verdadeira prisão de aprendizagem na Terra. Em outras situações, são exilados do Planeta para o bem do progresso geral, indo para outros planetas mais inferiores, onde poderão expiar as faltas e ajudar com o desenvolvimento intelectual do orbe de exílio.
Como seja, a depender dos erros que cometeram na sociedade, eles precisarão responder segundo a Justiça da Terra, porque não é uma doença mental que incapacite o senso de julgamento, mas um transtorno de personalidade que precisa, muitas vezes, da restrição da liberdade para não atrapalhar os outros e expiar suas faltas. É preciso agir com rigor, sem demonstrar medo, mas também sem desafiar (esta atitude pode até ser perigosa). Isto também é uma face do amor.” 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Ansiedade

 visão geral

O que é Ansiedade?

O termo "ansiedade" tem várias definições nos dicionários não técnicos: aflição, angústia, perturbação do espírito causada pela incerteza, relação com qualquer contexto de perigo, entre outros.
Levando-se em conta o aspecto técnico, devemos entender ansiedade como um fenômeno que ora nos beneficia, ora nos prejudica, dependendo das circunstâncias ou intensidade, e que tornar-se patológico, isto é, prejudicial ao nosso funcionamento psíquico (mental) e somático (corporal).
A ansiedade estimula o indivíduo a entrar em ação, porém, em excesso, faz exatamente o contrário, impedindo reações.

Causas

Os transtornos de ansiedade são doenças relacionadas ao funcionamento do corpo e às experiências de vida.
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A pessoa pode se sentir ansiosa a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente ou pode ter ansiedade apenas às vezes, mas tão intensamente que se sentirá imobilizada. A sensação de ansiedade pode ser tão desconfortável que, para evitá-la, as pessoas deixam de fazer coisas simples (como usar o elevador) por causa do desconforto que sentem.

 sintomas

Sintomas de Ansiedade

Os transtornos da ansiedade têm sintomas muito mais intensos do que aquela ansiedade normal do dia a dia. Eles aparecem como:
  • Preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar)
  • Sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer
  • Preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho
  • Medo extremo de algum objeto ou situação em particular
  • Medo exagerado de ser humilhado publicamente
  • Falta de controle sobre pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente da vontade
  • Pavor depois de uma situação muito difícil.

 tratamento e cuidados

Tratamento de Ansiedade

Existem três tipos de tratamento para os transtornos de ansiedade:
S
Controle a ansiedade - SAIBA MAIS
3 de 4
  • Medicamentos (sempre com acompanhamento e receita médica)
  • Psicoterapia com psicólogo ou médico psiquiatra
  • Combinação dos dois tratamentos (medicamentos e psicoterapia).
A maior parte das pessoas com ansiedade começa a se sentir melhor e retoma as suas atividades depois de algumas semanas de tratamento. Por isso, é importante procurar ajuda especializada na unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico precoce e preciso da ansiedade, o tratamento eficaz e o acompanhamento por um prazo longo são imprescindíveis para obter melhores resultados e menores prejuízos.

Medicamentos para Ansiedade

Os medicamentos mais usados para o tratamento de ansiedade são:
Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

 fontes e referências

Transtorno de personalidade antissocial

 visão geral

O que é Transtorno de personalidade antissocial?

Sinônimos: personalidade sociopática, sociopatia, transtorno de personalidade - antissocial
Transtorno de personalidade antissocial é uma condição em que a pessoa tem pensamentos e atitudes disfuncionais. No caso, essas pessoas tendem a explorar as outras para ter algum ganho, seja material ou mesmo pessoal.
Em geral, pessoas com transtorno de personalidade antissocial não fazem distinção entre certo e errado e não consideram os direitos, desejos e sentimentos dos outros. Por este motivo, os especialistas se dividem se o transtorno seria o mesmo que a psicopatia.
Estima-se que cerca de 6% da população tenha o transtorno de personalidade antissocial.
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Causas

Não se sabe ao certo quais são as causas do transtorno de personalidade antissocial. É muito provável que o fator genético esteja envolvido, mas há indícios de que fator ambiental também esteja relacionado ao aparecimento desse transtorno, principalmente na infância. Por exemplo, sabe que crianças que foram abusadas na infância ou que cresceram com pais alcoólatras ou que tinham o transtorno de personalidade antissocial tem maior tendência a desenvolver a condição.
Além disso, crianças que cresceram em ambientes familiares instáveis ou caóticos, que perderam os pais devido a algum divórcio traumático, também são mais propensas ao problema.
Pode haver também uma relação entre a falta de empatia desde cedo (capacidade de entender o sentimento do outro e se colocar em seu lugar) e o aparecimento desse transtorno mais para frente.

Fatores de risco

O transtorno de personalidade antissocial é mais comum em homens do que mulheres. Além disso, crianças que cresceram em ambientes instáveis, com pais alcoólatras ou que abusavam dela seja verbal, física ou sexualmente, são mais propensas a adquirirem o transtorno.
Não é possível diagnosticar esse transtorno antes dos 18 anos de idade. Por isso qualquer criança que apresente os sintomas do transtorno de personalidade antissocial é diagnosticada com transtorno de conduta. Nem toda criança com transtorno de conduta desenvolverá personalidade antissocial, mas este é um fator de risco.

 sintomas

Sintomas de Transtorno de personalidade antissocial

Pessoas com transtorno de personalidade antissocial tem um comportamento específico, que leva em conta os sentimentos das outras pessoas. Veja, a seguir os principais sintomas desse transtorno:
  • Desconsideração por o que é certo ou errado
  • Uso persistente de mentiras e fraudes para explorar os outros
  • Uso de charme ou sagacidade para manipular os outros em prol de si mesmo
  • Egocentrismo, senso de superioridade, vaidade e exibicionismo
  • Dificuldades recorrentes com a lei
  • Abuso ou negligência com crianças
  • Hostilidade, irritabilidade significativa, agitação, impulsividade, agressão ou violência
  • Ausência de empatia com as outras pessoas e de remorso por prejudicar os outros
  • Comportamentos perigosos
  • Relacionamentos pobres ou abusivos
  • Comportamento irresponsável no trabalho
  • Dificuldade em aprender com as consequências negativas de seu comportamento.
Em geral, os sintomas começam na adolescência e mostram seu auge durante os 20 e 30 anos. Além disso, a maioria das pessoas que tem esse transtorno foi diagnosticada com transtorno de conduta na infância.
Em geral, alguns dos sintomas do transtorno de personalidade antissocial, principalmente o comportamento arriscado e criminoso, diminuem com a idade, apesar de não se saber a razão disso.

 diagnóstico e exames

Buscando ajuda médica

Em geral a pessoa que tem um transtorno de personalidade, como o transtorno de personalidade antissocial, não tem noção de que tem um problema, já que essas características fazem parte de sua personalidade. Em geral, pessoas com transtorno de personalidade antissocial só buscam por ajudar quando entram em problemas legais ou são forçadas a buscar tratamento por um juiz.
Mas caso você desconfie que tem algum transtorno de personalidade, como o transtorno de personalidade antissocial, o ideal é buscar pela ajuda de um psiquiatra, o melhor especialista para diagnosticar o problema.

Na consulta médica

O especialista que pode diagnosticar um transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva é:
  • Psiquiatra.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:
  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

Diagnóstico de Transtorno de personalidade antissocial

Não há um exame específico que possa detectar o transtorno de personalidade antissocial, assim como não há para outros transtornos de personalidade. Dessa forma, o diagnóstico é feito através da conversa com o psiquiatra.
Pessoas com transtorno de personalidade normalmente não sabem que tem um problema desse tipo e chegam ao consultório do psiquiatra com outras queixas, como ansiedadedepressão, dependência química ou outras questões menos ligadas à personalidade em si. Em geral, o médico precisa perceber sozinho que o paciente tem algum transtorno de personalidade por trás desses problemas. Como esses são critérios subjetivos, o diagnóstico se torna bem difícil.
Muitas vezes, quando o especialista tem contato com outras pessoas ligadas ao paciente. Em geral, o paciente com transtornos de personalidade antissocial costuma a deixar as pessoas em sua volta triste, pois se considera superior e não tem empatia por seus sentimentos.
Além disso, o histórico de sintomas na adolescência é importante. Por mais que não se possa fazer o diagnóstico desse transtorno antes dos 18 anos, ter sido diagnosticado com transtorno de conduta na infância ou adolescência ou se houverem relatos de sintomas de transtorno de personalidade antissocial nessa idade são critérios de diagnóstico.

 tratamento e cuidados

Tratamento de Transtorno de personalidade antissocial

O tratamento de transtorno de personalidade no geral engloba psicoterapia. Medicamentos podem ser usados no tratamento de comorbidades, como depressão e ansiedade, mas não existem medicamentos indicados apenas para o tratamento desse tipo de transtorno. Em geral, para o transtorno de personalidade antissocial, mudanças comportamentais são muito importantes. Por isso mesmo terapia cognitivo-comportamental, grupos de apoio e terapia familiar costumam ser importantes nesses casos.
No entanto, o tratamento do transtorno de personalidade antissocial é o mais difícil de ser tratado. As pessoas com esse transtorno tendem a usar a terapia como uma forma de evitar consequências negativas para se comportamento ilegal ou negligente ou para evitar as responsabilidades de seus atos.

Tratamento para familiares

Se você tem algum familiar, amigo ou pessoa próxima com transtorno de personalidade antissocial, é muito importante buscar tratamento também. Profissionais especializados em saúde mental podem ajudá-lo a aprender habilidades para lidar melhor com alguém que tem esse transtorno e impedir que você seja afetado por seu comportamento e ainda possa ajudar. Grupos de apoio para familiares com transtorno de personalidade antissocial são ótimos para este processo.

 convivendo (prognóstico)

Complicações possíveis

Pessoas com transtorno de personalidade antissocial tem um comportamento arriscado, por isso as principais complicações e consequências de se ter esse transtorno são:
  • Comportamento sexual arriscado, que pode levar a contaminação por doenças como DSTs
  • Problemas com álcool ou abuso de outras substâncias
  • Problemas com apostas
  • Problemas com a polícia
  • Dificuldade em relacionamentos
  • Morte prematura, resultante de seu comportamento violento.

Expectativas

Muitas pessoas apresentam melhora de alguns dos sintomas a partir dos 40 anos de idade, principalmente se o paciente for submetido à terapia. Não se sabe ao certo por que, mas a melhora aparece principalmente em sintomas como a agressividade.

 prevenção

Prevenção

Não é possível prevenir totalmente o transtorno de personalidade antissocial em que tem predisposição a apresenta-lo. No entanto, prevenir fatores ambientais que possam causar esse problema, principalmente ambientes familiares instáveis em que a criança sofre abuso ou negligência.
Além disso, identificar desde cedo que a criança tem traços de personalidade antissocial pode ajudar no tratamento precoce do transtorno de conduta, evitando que ele evolua para transtorno de personalidade antissocial, ou pelo menos impedindo o problema de ser tão grave.

 fontes e referências

  • -Mayo Clinic;Manual Merck.