domingo, 5 de fevereiro de 2017

Diferenças entre humanos e primatas

De acordo com modelos evolutivos em voga, humanos começaram a se diferenciar/separar de chimpanzés&CIA, a mais de 6 milhões de anos atrás. Em termos de evolução, isso é um período bem curto e “rápido”. E como tal, inúmeras semelhanças são esperadas, e de fato existem, o que é tido pelos teóricos como evidência de ancestralidade comum. Mas uma profunda olhada nas diferenças entre nós e os primatas traz à tona fatos consideráveis…
Lembremos antes as diferenças entre (grandes) primatas e macacos. “Macaco” é um termo popular bem genérico, usado para designar qualquer espécie de primata. De acordo com a Wikipédia 1:


“A ordem dos Primatas tem sido tradicionalmente dividida em dois grupos: prossímios e antropóides. Prossímios possuem características dos primeiros primatas, e são os lêmures de Madagáscar, lorisídeos, e társios. Os antropoides incluem macacos e o homem. Mais recentemente, taxonomistas dividiram a ordem em Strepsirrhini, consistindo nos prossímios excluindo os társios, e em Haplorrhini, que são os társios e antropoides. Antropoides são divididos em dois grupos: Platyrrhini, ou “macacos do Novo Mundo”, da América do Sul e Central, e Catarrhini, que incluem o Cercopithecoidea e o Hominoidea, da África e Ásia. Os “macacos do Novo Mundo” são, por exemplo, os bugios, os macacos-prego e os saguis; os catarrinos são, por exemplo, os babuínos, os gibões, e os hominídeos.”


 Primatas
Haplorrhini
 Simiiformes
 Catarrhini
Hominoidea
Hominidae
Homininae
Hominini
  Humanos
 
  Chimpanzés
 
 
  Gorilas
 
 
  Orangotangos
 
 
  Gibãos (familia Hylobatidae)
 
 
   Macacos do Velho Mundo
 
 
  Macacos do Novo Mundo (parvordem Platyrrhini)
 
 
  Társios (infraordem Tarsiiformes)


Strepsirrhini
  Lêmures (infraordem Lemuriformes)
 
  Lorisiformes (infraordem Lorisiformes)


Tais classificações nos colocam mais próximos de chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos, grupo taxado de “grandes primatas” (ape, em inglês). Nenhum destes possui cauda, enquanto que os “macacos” (monkey, em inglês) possuem. Os primeiros possuem grande volume cerebral e utilizam ferramentas, os últimos não. Vamos nos focar, portanto, nos chamados grandes primatas, e ver divergências latentes entre humanos e seus “parentes” evolutivos.


Dimorfismo sexual



Nos humanos, existem visíveis e marcantes diferenças físicas entre homens e mulheres. Entre os primatas, porém, machos e fêmeas são morfologicamente similares, retendo apenas ligeiras diferenças como tamanho de caninos, tamanho corporal, enfim, nada que seja distinguível sem olhar mais atento…


Crânio






Características únicas do crânio humano:
-Mandíbula menor com prominente queixo (primata nenhum tem queixo);
-Ausência de cristal sagital, o que representa menores músculos ligados à mandíbula, e com isso, menor força durante mordida (vários mamíferos e répteis possuem essas cristas);
-Ausência de focinho e face reta, sem protuberâncias como nos gorilas e chimpanzés, cujas mandíbulas se encontram deslocadas além da linha da testa, olhos;


chimpMsk[1].jpg
crânio de chimpanzé

-Ausência de crista nucal como presente em gorilas, por exemplo, onde músculos do pescoço se ligam;
-osso zigomático (“osso da bochecha”) reduzido com um espaço, por onde músculos da mandíbula passam;
-Ausência de dentes caninos genuínos, presentes em “outros” primatas;
-Mandíbula inferior começa larga e vai se estreitando em direção ao queixo, enquanto que em chimpanzés e gorilas ela possui formato retangular, não se estreitando de maneira “triangular” como  a nossa;
-Nossos dentes são igualmente posicionados tanto em cima quanto em baixo; em chimpanzés e outros primatas os caninos inferiores se encaixam entre as brechas entre os caninos superiores e os dentes próximos;
-Nosso foramen magnum (espaço no crânio que se encaixa na espinha dorsal) se localiza na parte de baixo do crânio (o que permite nossa postura ereta e auxilia no equilíbrio ao manter o centro de gravidade de nosso pesado crânio bem distribuído acima da coluna), ao passo que nos primatas, se localiza na parte de trás do crânio, o que exige músculos mais fortes no pescoço para que seus crânios se mantenham firmes;
-Em humanos, o primeiro dente pré-molar  possui duas cúspides, enquanto que o de “apes” possui apenas uma;


Esqueleto





-Nossa coluna possui um formato de ‘S’, ideal para distribuir o peso da parte posterior do corpo e manter o centro de gravidade acima da pélvis e pernas; nos primatas a coluna possui uma leve curva;
-Nosso quadril possui formato de bacia, e é mais baixo em altura do que o de primatas, outro ponto a favor de uma postura ereta;
-Nossas pernas tem uma leve inclinação pro centro, onde joelhos quase se tocam, localizando-se perto do centro do quadril (isso forma o chamado ângulo valgo). Quando uma perna se levanta, o joelho da outra, estando quase no centro de gravidade do quadril, garante o equilíbrio durante o caminhar. Quando primatas tentam caminhar eretos, eles balançam de um lado pro outro, afim de não perderem o equilíbrio e caírem;




-Nossos pés são arqueados e quase imóveis, pouco articulados, enquanto que os dos primatas são bem articulados e planos, projetados para se agarrar em galhos e segurar coisas. Nossos pés funcionam como bases, plataformas, daí seu ligeiro arqueamento (Tanto é que, pessoas com pé chato sofrem bastante principalmente ao correr, o que pode causar dores e problemas na tíbia, joelhos e até na coluna…);




-Nossas mãos são perfeitas para manipular, agarrar coisas, sem similar na natureza. Apesar de primatas possuírem polegares, os nossos são diferentes, mais longos, e com uma estrutura que permite que nosso polegar possa tocar todos os outros dedos. Nossas falanges são retas, ao passo que a de primatas são meio encurvadas, o que facilita que se pendurem de galho em galho com menos esforço;




-Nossa caixa torácica é mais reta do que as deles, que são mais “pontudas” para a frente, o que auxilia no equilíbrio;
-Nossos ombros e clavículas, são mais largos do que o de primatas;
-Nossas escápulas (“pazinha” localizadas nas costas) se encontram na parte de trás do tórax, e não nas laterais, como em quadrúpedes, por exemplo;


Pele


Nós temos muitos pelos corporais (principalmente em homens) como outros primatas, mas os nossos são muito mais finos e esparsos, e nós possuímos muito mais glândulas sudoríparas;


Cérebro





-Nossos cérebros são maiores em volume em relação ao tamanho da cabeça do que o de qualquer “outro” primata;
-As áreas de Wernicke e Broca do cérebro humano, responsáveis por compreensão e processamento de linguagem, comunicação, etc, apesar de existirem em primatas, nestes elas executam funções totalmente diferentes, sem qualquer relação com fala e linguagem;
-Estudos 2 demonstraram categoricamente diferenças significativas entre o nível de metilação  do DNA do tecido cerebral entre humanos e primatas. Este processo é essencial para a função de certas enzimas que agem no DNA, e o estudo mencionado manifesta claras e surpreendentes divergências na metilação de humanos e chimpanzés, gorilas, etc:


“Among the genes whose promoters are hypomethylated in the human brain but hypermethylated in the chimpanzee brain, expression-level data are available for 273 genes. A majority of these exhibit higher expression in the human brain than in the chimpanzee brain (168 out of 273…)”
“Entre os genes cujos promotores são hipometilados no cérebro humano mas hipermetilado no de chimpanzés, dados sobre nível de expressão estão disponíveis para 273 genes. A maioria desses exibe maior expressão no cérebro humano do que no de chimps (168 dos 273)”

“analyses of DNA-methylation levels of promoters and gene bodies of human-chimpanzee orthologs demonstrate that major principal components separate humans and chimpanzees”
“Análise dos níveis de metilação de promotores e corpo de genes de ortólogos humanos-chimpanzés demonstram que componentes majoritários principais separam humanos e chimps”

“We observed intriguing within- and between-species variation of DNA methylation in the brains of humans and chimpanzees. “
“Observamos intrigantes variações da metilação do DNA cerebral  de humanos e chimpanzés tanto dentro da mesma espécie como entre diferentes espécies”.


O que tem de mais nisso? Bem, os mesmos estudos revelam claramente que variações na metilação são fortemente associadas com suscetibilidade a um leque de doenças severas:


“Furthermore, promoters that are significantly differentially methylated between the brains of humans and chimpanzees are enriched in several functional categories, including protein binding and cellular metabolic processes. Strikingly, the list of genes harboring differentially methylated promoters includes disproportionately high numbers of those associated with human diseases “
“Além do que, promotores que são diferencialmente metilados de maneira significativa entre os cérebros de humanos e chimpanzés são enriquecidos em variadas categorias funcionais, incluindo ligação de proteínas e processos celulares metabólicos. Surpreendentemente, a lista de genes carregando promotores diferencialmente metilados inclui uma quantidade desproporcionalmente alta dos mesmos associada com doenças humanas (A Tabela 2 do artigo conta 468 genes cujos promotores são hipometilados em humanos, causando autismo, dependência química e majoritariamente, câncer…).

Trocando em miúdos, essa sensibilidade do organismo contra ligeiras diferenças na metilação, aliada à gritante diferença de metilação entre as espécies, põe a alegação do surgimento evolutivo das diferentes espécies de primatas em uma grande “saia justa”…


Faringe, cordas vocais e a fala





Sem contar nosso intelecto, inteligência, consciência e outras qualidades exclusivamente humanas, a fala é um dos mais marcantes divisores de água entre nós e os animais irracionais. Não bastando a participação de muitas partes do cérebro (como as já mencionadas áreas de Broca e Wernicke), genes e etc, ainda tem-se de levar em consideração a estrutura da faringe, boca, língua, cordas vocais; igualmente fundamentais para o processo.
Como relatado nas obras de Philip Lieberman 3, inúmeros fatores exclusivos dos humanos contribuem conjuntamente para a linguagem, tais como:
-Estrutura das vias aéreas ligadas supralaríngeas e dimensão/proporção do palato;
-Estrutura esquelética que sustenta músculos e ligamentos fundamentais ao trato vocal supralaríngeo;
-O tamanho e formato da língua, curvada, abrangendo toda a parte inferior da boca e a parte anterior da faringe, com maleabilidade suficiente para tocar o “céu da boca”e tomar as mais diferentes formas, essencial para a pronunciação de vogais e consoantes;
-A extensão do trato vocal alcançando desde o vestíbulo laríngeo até a epiglote;
-A localização da abertura laríngea, dentro do pescoço, na altura entre a 5ª e 6ª vértebras;
-Flexibilidade e mobilidade da laringe, que sobe e desce durante a fala, proporcionando os mais diferentes sons;
-Estrutura muscular  faringal bem diferente da de primatas e bebês humanos, assim como a linha basicranial flexionada, língua e laringe rebaixadas, peculiar orientação do basioccipital devido à dimensão e direção do músculo constritor faríngeo;

-A formação da faringe, que deve estar no ângulo correto em relação à cavidade oral e sua exata proporção;
-Distância correta entre o osso vômer e a sincondrose  esfeno-occipital;
E trocentas outras características presentes em humanos que não ocorrem em nenhum primata…
Experimentos, como com o bonobo Kanzi 4 5, tentaram a todo custo demonstrar que primatas podem “falar”.  Nascido em 1990, filho de Matata, uma bonobo trazida da África, começou a aprender a se comunicar através de um teclado especial “falante”. Treinamentos intensivos por vários anos somente conseguiram levá-lo a habilidade comunicativa de uma criança de dois anos… Apesar de ir além do comum entre primatas, esse experimento a nada provou, como lemos no livro de John Skoyles e Dorion Sagan 5:

“Kanzi shows that while chimps may have the potential to learn language, they require a “gifted” environment to do so. Kanzi was surrounded by intelligent apes with PhDs [i.e., human] who spoke to him and gave him a stream of rich interactions. They gave Kanzi’s brain a world in which it could play at developing its ability to communicate…. Therefore, as much as in his brain, Kanzi’s skill lies in the environment that helped shape it”
“Kanzi demonstra que, enquanto chimps podem ter o potencial de aprender linguagem, eles requerem um ambiente “dotado” para tanto. Kanzi estava cercado por macacos inteligentes com PhD [isto é, humanos] que falavam com ele e lhe deram uma torrente de ricas interações. Eles deram ao cérebro de Kanzi um mundo no qual ele poderia brincar de desenvolver habilidade para comunicar-se… Portanto, tanto quanto [depende] de seu cérebro, as habilidades de Kanzi dependem do ambiente que ajudaram-o a moldá-la.”


As limitações de Kanzi ficaram evidenciadas durante um programa da NOVA, chamado “Podem os macacos falar?”. Usando seu teclado, Kanzi errou inúmeras questões que lhe eram feitas, como: “Existe algum outro alimento que você gostaria de me trazer na mochila?” ao qual ele “respondeu”: “bola”…
O mais engraçado de tudo é que os animais que mais se aproximam dos humanos em termos de habilidade em pronunciar diferentes tons e sons nem sequer pertencem à clade dos mamíferos! Estou falando de aves! Papagaios e cacatuas superam os mais aptos mamíferos, como Toto, um papagaio africano cujo dono vive na Inglaterra, que pode pronunciar sons incrivelmente similares aos de humanos. Como Terrace Deacon escreveu 6:


“In fact, most birds easily outshine any mammal in vocal skills, and though dogs, cats, horses, and monkeys are remarkably capable learners in many domains, vocalization is not one of them. Our remarkable vocal abilities are not part of a trend, but an exception”
“De fato, muitas aves facilmente superam qualquer mamífero em habilidades vocais, e embora cães, gatos, cavalos e macacos sejam notoriamente capazes de aprender em muitos domínios, vocalização não é um destes… Nossa marcante habilidade vocal não faz parte de uma tendência, mas [sim], uma exceção.”


Genoma



Como já foi exposto em um post anterior (Link), recentes estudos revelaram uma similaridade genética entre humanos e chimpanzés não maior do que ~81%. Outro estudo 7 publicado na badalada Nature comparando genomas de gorilas, humanos, orangotangos, veio, não a corroborar evolução, mas sim causar mais danos à teoria. Como explícito lá, os pesquisadores aplicaram a velha garimpagem de material (o que em muito avulta o percentual de similaridade), mas nem isso ajudou a trazer resultados dignos de comemoração por parte dos mesmos:

“Filtering out low-quality regions of the chimpanzee assembly and regions with many alignment gaps, we obtained 2.01 Gbp of 1:1:1:1 great ape orthologous alignment blocks”
Filtrando regiões de baixa-qualidade da montagem (genômica) do chimpanzés com muitas lacunas no alinhamento, nós obtivemos 2.01 Gbp (gigabases pareadas, isto 2.01 bilhões de bases pareadas) de blocos de alinhamentos ortologos de grandes primatas”

Os resultados falam por si só:

“In 30% of the genome, gorilla is closer to human or chimpanzee than the latter are to each other; this is rarer around coding genes”
“Em 30% do genoma, o gorila está mais perto do ser humano ou do chimpanzé do que os últimos são um dos outro, o que é mais raro entre os genes codificadores”

“A comparison of protein coding genes reveals approximately 500 genes showing accelerated evolution on each of the gorilla, human and chimpanzee lineages, and evidence for parallel acceleration, particularly of genes involved in hearing.”
“Uma comparação dos genes que codificam proteínas revela cerca de 500 genes mostram “uma evolução acelerada” em cada uma das linhagens de gorilas, chimpanzés e humanos, e  evidencia aceleração paralela, particularmente de genes envolvidos na audição.” (“evolução acelerada”… Uma maneira sutil de falar que existem diferenças tremendas entre os genes e outros itens comparados…)

“We did not assemble a gorilla Y chromosome, but by mapping ~6× reads from the male gorillas Kwanza and Mukisi to the human Y, we identified several regions in which human single-copy material is missing in gorilla, comprising almost 10% of the accessible male-specific region. Across the Y chromosome there is considerable variation in the copy number of shared material, and the pattern of coverage is quite different from that of reads from a male bonobo mapped in the same way… Some missing or depleted material overlaps coding genes, including for example VCY, a gene expressed specifically in male germ cells which has two copies in human and chimpanzee but apparently only one in gorilla”
“Não fizemos a montagem do cromossomo Y (CY) de gorilas, no entanto, ao mapear ~6x leituras dos [cromossomos dos] gorilas machos Kwanza e Mukisi com o CY humano, nós identificamos inúmeras regiões nas quais materiais de cópia única de humanos está ausente em gorilas, compondo cerca de 10% da região acessível. Ao longo do CY existe considerável variação no número de cópias de materiais compartilhados, e o padrão de cobertura é deveras diferente das de leituras de um bonobo macho mapeado da mesma maneira… Alguns materiais depletados ou faltantes sobrepõem genes codificantes, como por exemplo o VCY, um gene expresso especificamente nas células germinativas masculinas que possui duas cópias em humanos e chimps, mas aparentemente uma só em gorilas”

Na figura 3 do artigo, notamos que, considerando as áreas de ligação do CTCF de humanos e gorilas, nós compartilhamos 24.370 áreas com os primatas, porém, outras 5228 são específicas de gorilas e 19451 são exclusivamente nossas

Com relação a “evolução” das proteínas, o artigo escreve algo assaz inusitado:

“In several cases, a protein variant thought to cause inherited disease in humans is the only version found in all three gorillas for which we have genome-wide sequence data (…) Why variants that appear to cause disease in humans might be associated with a normal phenotype in gorillas is unknown (…) Such variants have also been found in both the chimpanzee and macaque genomes”
“Em vários casos, uma variante proteica pensada ser causadora de doença hereditária em humanos é a única encontrada nos três gorilas dos quais nós temos dados de sequenciamento amplo do genoma… O porquê de variantes que aparentam causar doenças em humanos poderem ser associadas com fenótipo normal em gorilas ninguém sabe… Tais variantes foram também encontradas tanto em genomas de chimpanzés quanto em macacos resos”

Não poderia deixar de fora o estudo de Ingo Ebersberger & CIA 8, sobre a árvore genética humana… Leiamos:

“The human genome is a mosaic with respect to its evolutionary history”
“O genoma humano é um mosaico com respeito a sua história evolutiva”

“Based on a phylogenetic analysis of 23,210 DNA sequence alignments from human, chimpanzee, gorilla, orangutan, and rhesus, we present a map of human genetic ancestry. For about 23% of our genome, we share no immediate genetic ancestry with our closest living relative, the chimpanzee. This encompasses genes and exons to the same extent as intergenic regions.”
“Baseado na análise filogenética de 23.210 alinhamentos sequenciais do DNA de humanos, chimps, gorilas, orangotangos e resos, nós apresentamos um mapa da ancestralidade genética humana. Para cerca de 23% de nosso genoma, nós não compartilhamos de ancestralidade genética imediata com nosso “parente” vivo mais próximo, o chimp. Isto engloba genes e exons na mesma proporção que regiões intergênicas.”

“We conclude that about 1/3 of our genes started to evolve as human-specific lineages before the differentiation of human, chimps, and gorillas took place. “
“Concluímos que cerca de um terço de nossos genes começaram a evoluir” como linhagens específicas de humanos antes de ocorrer a diferenciação de humanos, chimpanzés e gorilas.”

“The corresponding genealogies are incongruent with the species tree. In concordance with the experimental evidences, this implies that there is no such thing as a unique evolutionary history of the human genome. Rather, it resembles a patchwork of individual regions following their own genealogy.”
As genealogias correspondentes são incongruentes com a árvore das espécies. Em concordância com as evidências experimentais, isto implica que não existe tal coisa como uma história evolutiva única do genoma humano. Pelo contrário, ela se assemelha a uma colcha de retalhos  de regiões individuais seguindo cada uma suas próprias genealogias.”


Referências



1 Primatas <http://pt.wikipedia.org/wiki/Primatas>
2 Zeng, J. et al. 2012. Divergent whole-genome methylation maps of human and chimpanzee brains reveal epigenetic basis of human regulatory evolutionAmerican Journal of Human Genetics. 91 (3):455-465. (Link AQUI)
3 Philip Lieberman The evolution and biology of language (Harvard University Press, 1984)
4 Savage-Rumbaugh, Sue and Roger Lewin (1994), “Ape at the Brink,” Discover, 15[9]:90-96,98.
5 Skoyles, John R. and Dorion Sagan (2002), Up from Dragons (New York: McGraw-Hill).
6 Deacon, Terrance (1997), The Symbolic Species: The Co-Evolution of Language and the Brain (New York: W.W. Norton).
7  Scally, A. et al. 2012. Insights into hominid evolution from the gorilla genome sequence. Nature. 483 (7388): 169-175. (Link AQUI)
8 Ingo Ebersberger et al. Mapping Human Genetic Ancestry, July 28, 2007 Mol Biol Evol (2007) 24 (10):2266-2276.doi: 10.1093/molbev/msm156 (Artigo AQUI)

Porquê os evangélicos são um perigo para o Brasil.


Ande pelas ruas de São Paulo, e de qualquer outra capital do Brasil, e aposto e ganho, que você vai avistar pelo menos uma Igreja evangélica. Mas a realidade é que provavelmente você vai encontrar mais ainda. As religiões evangélicas, protestantes ou neo-pentecostais, tem aumentado vertiginosamente no Brasil dos últimos anos, e tem ao longo desse tempo, se infiltrado na mídia, na politica e na educação.

Os pastores neo-pentecostais, figuram entre as pessoas mais ricas do Brasil, possuindo carros de luxo, mansões e fazendas. As igrejas também funcionam como ferramentas de lavagem de dinheiro, devido à isenção de impostos. Mas acima de tudo, com seus discursos manjados e retoricas de lavagem cerebral, essas igrejas veem conquistando um publico, fiel, manipulável e acima de tudo, fanático.

Esse publico fanático, abomina demais religiões, principalmente as de matrizes africanas, e enxerga de forma "maligna" a presença de homossexuais. Ateus e agnósticos também são perseguidos, e as posições cientificas como a evolução e outros conceitos são terminantemente negados. Esse fanatismo tem ficado cada vez mais forte com a entrada de pastores evangélicos em cargos públicos, como é o caso do Pastor Marco Feliciano. A rede record de televisão, também ligada a Igreja Universal (no caso os donos são os mesmos), se utiliza de sua rede, para espalhar noções cristãs para o publico, que assistem acéfalos ao espetáculo de babaquices moralistas e de seus programas, incluindo o ridículo "Casamento blindado", apresentado por dois membros da igreja Universal.

Se não bastassem esses acimas citados, ainda existem uma dezena de outros pastores, que compram os direitos de veicular seus programas na TV, inundando uma já pobre programação, desprovida de programas educacionais de mais porcarias.

Além dos grandes "proprietários de mentes", outros pequenos pastores se diluem entre as comunidades carentes, se utilizando da desinformação da população para fins próprios, muitas vezes se aliando a traficantes e bandidos da região.

O cristianismo e todas as formas de religião e de ideologias, podem ser desastrosas nas mãos de pessoas com intenções destrutivas e preconceituosas. Os evangélicos do Brasil tem demonstrado que são capazes de tudo, tanto os de cima do púlpito como os da plateia. Interrompendo e atrasando pesquisas cientificas, atrasando o discurso sobre o aborto e os direitos dos homossexuais.

No Brasil atual, a corrupção politica, a corrupção empresarial e as igrejas fazem parte do mesmo sistema arcaico e atrasado.    

Ostentação: Causa ou Efeito? Comportamento primata no seio da sociedade capitalista.

Tipico MC de funk ostentação, cercado de de aproveitadores e aproveitadoras
que só se interessam no mesmo, devido a suas posses. Uma demonstração das
relações vazias causadas inerentes ao sistema do capital.
Vivemos uma época bastante conturbada aqui no Brasil. Vários crimes tem sido cometidos em nome da "ostentação". No dicionário ostentação é "Ação ou efeito de ostentar; comportamento de quem exibe riquezas ou dotes; exibição de ações ou qualidades: ostentação de si próprio, ostentação de suas qualidades; comporta-se como se vivesse em constante ostentação". Ou seja, ostentar é exibir aquilo que você possui, e pode ser até mesmo alguma qualidade imaterial, como inteligencia. No entanto sabemos que isso não é o que acontece.

EFEITO OU CASA? 

Por vivemos em uma sociedade capitalista, onde o que temos em bens materiais, define a nosso status social, a ostentação é apenas um sintoma de uma doença muito maior. Os jovens já crescem em um sistema construído em torno do dinheiro e de aquisições, que os levam a terem comportamentos superficiais. A ostentação é causada pela cultura capitalista, assim como outros problemas que enfrentamos.

O real problema da ostentação está na perda de valores, que leva a uma vida vazia de sentido e extremamente artificial. As relações sociais são todas baseadas no acúmulo de bens, e em como você utiliza esses bens. Nesse processo, acabam se perdendo ideias básicos, como a realização pessoal através de boas ações com o próximo, ou o cultivo de qualidades imateriais, como inteligencia, compaixão e educação.

Podemos visualizar o problema da ostentação dentro de um cenário maior, já que esse fenômeno não está recluso ao Brasil. Em outras partes do mundo, jovens são levados ao consumo de bens materiais de marcas renomadas, devido a um estimulo social de consumir. Esse comportamento surge da falsa ideia, de que as marcas automaticamente nos concedem um "status superior" aos demais. Em propagandas e ações publicitárias os jovens são bombardeados por ideias de luxo, ostentação e acima de tudo a possibilidade de ascensão social.

RAZÕES NATURAIS?

Façamos aqui um exercício de logica.

  1. Seres humanos são animais.
  2. Por sermos animais, estamos sujeitos a nossa composição biológica.
  3. Nossa composição biológica coordena nosso comportamento.
  4. Logo o comportamento humano é predefinido, salvo exceções de comportamentos culturais.
  5. Somos primatas, grupo de mamíferos que vive em grupos sociais complexos.
  6. Toda sociedade primata é organizada em nível hierárquico, baseado no status biológico ou social.
  7. Nos seres humanos, somos entre os primatas os que vivem em maiores grupos, e esses grupos são extremamente hierarquizados.
  8. Logo existe uma tendencia natural do ser humano, de querer aceitação do grupo e principalmente de se tornar uma liderança no grupo, machos alfas ou fêmeas alfas.
Esse raciocínio nos leva a perceber que as tentativas de ascensão social são inerentes aos seres humanos, no entanto, o fenômeno da ostentação de bens materiais e uma causalidade cultural, criada no seio das sociedades capitalistas.



Para mudar isso seria necessária uma reeducação sistemática da população, que fizesse surgir novos valores que não fossem ligados ao consumo, mas, infelizmente esse parece um sonho distante. 

Corrupção é realmente uma doença mental?

A personalidade é a síntese de nossos comportamentos, cognições e emoções


por Joel Rennó Jr.

Vira e mexe a mídia veicula matérias associando corrupção à doença mental. Já vi reportagens classificando três subtipos de corruptos: o corrupto antissocial, o corrupto borderline e o corrupto narcísico, fazendo-se um elo de ligação com os transtornos de personalidade (TP).
Vou começar definindo de maneira clara e correta o que é um Transtorno de Personalidade (TP).

A personalidade é a síntese de nossos comportamentos, cognições e emoções que faz de cada um de nós uma pessoa única. Estes atributos tendem a ser estáveis e permanentes, permitindo que nossos familiares, amigos e conhecidos possam prever como nós reagiremos a uma dada situação e permite a eles nos descrever para outras pessoas.

Embora nossa personalidade tenha esta característica de estabilidade e permanência, a ponto de que nossa reação, a determinadas situações possa ser previsível, a pessoa com uma personalidade saudável demonstra uma grande variedade de respostas às situações de vida e, principalmente, às situações estressantes.

Um transtorno de personalidade ocorre quando uma pessoa não pode mostrar tal flexibilidade e adaptabilidade. A falta de adaptabilidade e o limitado repertório de respostas frente às situações comuns de vida, e principalmente daquelas mais estressantes, torna-se uma importante fonte de sofrimento para o indivíduo e para os que estão à sua volta.

Sou muito favorável aos esclarecimentos prestados à comunidade, mas desde que os esclarecimentos sejam apenas esclarecimentos baseados em dados científicos. Não acho correto que alguns conhecimentos possam servir para desculpar ou ainda justificar as pessoas pelas crueldades e roubos que cometem.

Os transtornos de personalidade tornam-se reconhecíveis na adolescência, ou às vezes antes, e permanecem pela maior parte da vida adulta. São padrões desadaptados, inflexíveis, muito enraizados e de severidade suficiente para atrapalhar o funcionamento da pessoa e trazem muito sofrimento.


O diagnóstico de transtorno de personalidade pode indicar que o paciente tem um elevado risco para cometer suicídio, afeta o curso e prognóstico de doenças co-existentes, destaca importantes fatores etiológicos - causadores - informa ao clínico acerca da evolução e prognóstico do paciente, indica áreas de importante disfunção nos papéis sociais, familiares e ocupacionais e ajuda o clínico na administração global do tratamento.

O texto ficaria muito extenso se eu fosse falar de todos os transtornos de personalidade, incluindo estes e outros. Irei falar do transtorno de personalidade borderline por ser o mais intrigante, misterioso e desafiador de todos. Depois dele, um dos mais importantes, sem dúvida, é o transtorno de personalidade antissocial.
Entre as principais características do antissocial temos: desrespeito brutal aos direitos e sentimentos dos outros, ausência de sentimento de culpa e remorso, insensibilidade com os outros, incapacidade de planejar o futuro, incapacidade de aprender com a própria experiência de erros e fracassos


Transtorno de personalidade borderline - TBP
O borderline, do inglês "fronteira", é caracterizado por uma fragilidade psíquica importante predominantemente em mulheres. A pessoa sente-se abandonada ou rejeitada, tornando-se auto ou hetero agressiva, verbalmente e até fisicamente em casos extremos com liberação de emoções e impulsividade.

Por que o transtorno de borderline atinge mais as mulheres?
É ainda um assunto controverso. As mulheres costumam, em geral, sofrer mais intensamente do que os homens, por questões vivenciais, culturais, de personalidade e sociais, de um sentimento de abandono, real ou imaginado. Seja qual for, tal sentimento de abandono detona a impulsividade e a instabilidade afetiva, duas características principais do transtorno de personalidade borderline. O borderline é uma doença do vínculo, as mulheres sofrem mais. Nas mulheres, é mais comum a autoagressão e automutilação.

Os critérios atuais que os médicos devem usar para diagnosticar um transtorno borderline da personalidade são os do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico em Saúde Mental, da Associação de Psiquiatria Americana).

Entre os critérios temos:

Um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, auto-imagem e afetos, com acentuada impulsividade começando no início da vida adulta, e presente numa variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais ) dos seguintes:
1 - Esforços desesperados para evitar abandonos reais ou imaginários das pessoas próximas ou mesmo no trabalho e escola.
2 - Um padrão de relações interpessoais instáveis e intensas caracterizadas pela alternância de extremos de idealização e desvalorização. Por exemplo, refere-se à forma como, por exemplo, a mulher vê o outro (marido) no contexto do relacionamento afetivo, ora idealizando-o (ninguém tem o poder de manter-se intacto com tanta idealização, ninguém é perfeito), ora desvalorizando as atitudes do outro. Tais comportamentos geram frustrações e sentimentos de abandono, detonadores dos impulsos dos borderlines.
3 - Perturbações de identidade:

Auto-imagem e sentido de self (sentido de ser a própria pessoa, contato com a interioridade) acentuadamente e persistentemente instáveis.
4 - Impulsividade em pelo menos duas áreas que são potencialmente lesivas à pessoa (self ): compras, sexo, abuso de substâncias, direção perigosa e exageros alimentares.
5 - Comportamento suicída recorrente, com tentativas e ameaças ou comportamento auto-mutilantes.
6 - Instabilidade afetiva devida à acentuada reatividade de humor (por exemplo disforia episódica - tristeza acompanhada de irritabilidade e ansiedade esporádicos. intensa, irritabilidade ou ansiedade usualmente durando poucas horas e só raramente mais que uns poucos dias).
7 - Sentimentos de vazio crônicos.
8 - Raiva inapropriada e intensa ou difícil de controlar (por exemplo ataques frequentes de mal humor, raiva constante, agressões físicas repetitivas).
9 - Ideação paranoide passageira, relacionada ao estresse ou sintomas dissociativos severos.
Na ideação paranóide a pessoa se sente prejudicada ou até mesmo perseguida pelas atitudes do outro.Tudo é indício e reforço do sentimento grande de abandono percebido pelo borderline. Sintomas dissociativos referem-se a sintomas relacionados a conflitos inconscientes não elaborados. Dissociação é uma interrupção da integração das funções da consciência, da memória, da identidade e da percepção do ambiente. Como parte do processo de dissociação os sintomas podem incluir despersonalização - a sensação do processo mental estar separado do resto do corpo, ou desrealização - a experiência em que o mundo parece estranho ou irreal. Ambas as situações estão relacionadas a estados de ansiedade. Há pessoas que chegam a ter perda de memória, paralisia, dores musculares. Ou seja, sintomas físicos na esfera somática, na tentativa de "fuga" de tais conflitos psicológicos existentes. Isso depende da estrutura de personalidade de cada pessoa, cada qual tem uma vulnerabilidade, uma sensibilidade específica. É mais comum em momentos de muito estresse. Tais pessoas geralmente têm poucos recursos para gerenciarem os conflitos existentes.


O diagnóstico de borderline pelo médico continua sendo uma questão muito complexa, apesar das diretrizes que em muito ajudam, e deve ser feito por profissionais que tenham um sólido conhecimento dos transtornos de personalidade, um método sistemático de avaliação e muita experiência em lidar com pacientes com estes transtornos. Aspectos sociológicos, culturais e antropológicos deveriam também ser enfatizados quando analisamos a corrupção.
É importante notar que o diagnóstico de borderline é feito pela presença de uma variedade de traços e não por um critério isolado. No entanto, merece ser destacado no diagnóstico o esforço desesperado que o portador do transtorno faz, para evitar o abandono real ou imaginário e a gravidade das alterações das relações interpessoais, sejam na família, escola, trabalho e lazer e, posteriormente, estas perturbações aparecem também com os profissionais que se aproximam para oferecer tratamentos.

A característica mais comum da pessoa portadora deste transtorno é a de uma pessoa com graves alterações em várias áreas do seu funcionamento:


- Escolaridade interrompida, sem uma carreira profissional definida.
Os objetivos mudam rapidamente e nada é levado adiante. São pessoas que estão muito defasadas com os pares que não tiveram interrupções nas suas metas. Tais pessoas ficam prejudicadas nas suas evoluções pessoais e profissionais, quando comparadas com o cônjuge, que geralmente, mantêm o curso natural da vida, independente do processo de doença. Toda doença mental prejudica o constante crescimento interno, as pessoas ficam estagnadas, isso gera, quando não há o tratamento adequado, uma defasagem ampla em relação ao parceiro (a) não acometido (a). Tal situação costuma gerar vários atritos.

- Relações interpessoais muito perturbadas dentro da família e fora dela. Brigas constantes e agressões físicas não são raras. Qualquer atrito com um chefe ou supervisor adquire uma proporção muito grande, levando o abandono do trabalho. A relação com professores é complicada e tumultuada, dificultando o prosseguimento de estudos. As relações de amizade são quase inexistentes.

- É frequente o envolvimento com bebidas alcoólicas e outras drogas, o que às vezes leva a extremos de violências e envolvimento em atividades ilegais. A droga é um grande complicador para quem já tem um funcionamento bastante precário.


- Histórico de tentativas de suicídio e ameaças constantes em relação a esta possibilidade. Algumas são tentativas sérias e outras são apenas para manipular e controlar pessoas à volta.

- Condutas automutilantes como cortes e queimaduras.
- Variação muito grande no humor, com frequentes ataques de fúria, que em geral são de curta duração.

- Condutas manipulativas - os borderlines estão sempre negociando com as pessoas à sua volta, não para obter vantagens ou tirar proveito dos outros, mas para tentar uma afirmação de si próprios. Eles parecem estar sempre perguntando ´´Quem está no controle da definição desta situação, de mim mesmo. E da realidade?``

Como ficam extremamente fixados nesta questão do exercício de controle, de poder e competência, há um grande prejuizo para as relações interpessoais e a conquista de realizações pessoais e materiais.

Em resumo, são pessoas que tem seus familiares e pessoas próximas aterrorizadas por suas condutas agressivas, sua imprevisibilidade, suas rápidas mudanças, seus ataques de ira, suas ameaças de uicídio, de automutilação e provocação de acidentes. E o mais complicado, é que tudo isso se alterna com momentos em que a pessoa é afavel e carinhosa.

O início das manifestações do transtorno de personalidade borderline ocorre na adolescência ou início da vida adulta (raramente antes). É um início tumultuado, explosivo, com grandes manifestações de cóleras e condutas muito agressivas, comportamentos perturbadores e destrutivos, ameaças de agressões, de suicídio e automutilação.

São frequentes as agressões verbais e físicas a familiares e pessoas próximas. Podem ocorrer fugas e envolvimento com drogas, furtos em casa e fora dela.

Frequentemente, há a necessidade de internação nesta fase. Quando ela ocorre, a pessoa pode permanecer até dois anos após a alta, ainda com várias áreas de funcionamento prejudicados. Os cinco primeiros anos são em geral os mais complicados.

Uma pergunta que sempre passa pela cabeça das pessoas é como este transtorno se inicia e também, se devido às suas manifestações, podemos dizer que a situação é muito desesperadora e que as perspectivas futuras serão negativas?

Os conhecimentos mais recentes mostram que, mesmo com toda a conturbação e sofrimento que o portador do TBP causa a sí próprio e a seus familiares, o curso do transtorno não é tão negativo como se pensava antes. Hoje, sabemos que o risco maior de completar o suicídio no TBP é nos 5 a 7 anos do início da manifestação. Depois, o risco cai muito. Sabemos também que 10% das pessoas com TBP completam o suicídio.

Isto nos permite ver as possibilidades de melhora e mudanças no curso do TBP de uma maneira mais otimista do que era visto no passado. Tudo isto tem uma boa repercussão ao manter a esperança nos médicos, nos pacientes e nos familiares.

São tratamentos complicados e frequentemente invadidos pelas dificuldades de relações interpessoais do portador do TBP. Fazer o médico fracassar em suas tentativas de ajudar, torna-se geralmente o item mais importante. As queixas e reclamações são frequentes e, em seis meses, a metade dos pacientes que inicia um tratamento já terá abandonado. Estima-se que apenas 10% dos pacientes façam um tratamento até o final.

Os tratamentos que apresentam os melhores resultados são aqueles que envolvem psicoterapia, medicação (quando indicado), orientação ou terapia familiar e medidas de reabilitação.

Esses procedimentos diminuem o sofrimento do portador do TBP, ajudam as famílias que estão na linha de frente de problemas muito difíceis e ajudam o paciente a transpor o período mais tumultuado de seu transtorno. Aqueles que ultrapassam o período de maior risco de suicídio, automutilação e envolvimento com drogas, têm mais chance de chegar ao período de estabilização.


Os tratamentos servem também para criar conhecimentos e desenvolver a experiência dos profissionais envolvidos neste trabalho, com benefícios para os pacientes que virão.
Compreender a origem ou as causas dos transtornos de personalidade é uma das áreas de maior desafio para pesquisadores e clínicos. Os modelos causadores devem ir além das relações lineares de causa-efeito para integrar um espectro de fatores bio-psico-sociais. Em relação às causas, devemos ressaltar que os fatores genéticos desempenham um papel importante.

O TBP é cinco vezes mais frequente em pessoas que tem um parente de 1º grau com o transtorno. O impacto do ambiente familiar no desenvolvimento da criança também é um fator causal importante. Cerca de 80% dos pacientes com TBP veem o casamento de seus pais como sendo de natureza conflitual. Por fim, fatores sociais mais amplos tais como mudanças sociais rápidas - que interferem na transmissão intergerações de valores - têm um papel causal, além dos fatores psicológicos e constitucionais.

Os atendimentos clínicos e as pesquisas mostram consistentemente que a carga suportada pelos membros da família afetam a comunicação e o desempenho dos papéis familiares, trazendo tensões enormes que podem levar a separações conjugais e outros problemas na convivência familiar.

Encerrando este artigo sobre TPB, motivado pelas matérias que associam doença mental à corrupção, envolvendo três tipos de transtornos de personalidade, inclusive, o borderline, observo um triste contraste: estamos diante de uma população que aposta e se baseia na proteção dos direitos humanos e, ao mesmo tempo, ocorre uma violação sistemática destes direitos, quando tentam justificar grande parte dos roubos e da corrupção através dos critérios diagnósticos dos transtornos mentais. Há que se ter muito cuidado em assuntos tão complexos.

Do mesmo modo que precisamos considerar e nos responsabilizar pelos corruptos que nós elegemos para o nosso país, precisamos considerar também que é injusto e estigmatizante, para todos os portadores de transtornos mentais, considerarmos tais corruptos, autores de graves infrações penais, como pessoas que têm sempre algum transtorno de personalidade. Tal generalização é extremamente deletéria.

A influência de Nietzsche sobre a Psicanálise de Freud

Freud e Nietzsche

A  RELAÇÃO DE NIETZSCHE COM FREUD,pode ser considerada a partir de duas perspectivas básicas: históricasdoutrinárias.



História
a) Do ponto de vista histórico, devemos olhar principalmente para a relação de Freud com a filosofia. Ao contrário do que o próprio Freud disse muitas vezes, a influência da filosofia em sua formação intelectual foi de suma importância. Através de sua correspondência quando jovem, sabemos que ele leu Feuerbach, Strauss e Aristóteles, que traduziu Stuart Mill, e que assistiu aos cursos de Brentano. Sob a influência deste último, ele pensou seriamente em se inscrever na Faculdade de Filosofia e fazer um doutorado, mas, eventualmente, esse desejo não foi cumprido.
Nietzsche foi um dos filósofos base para Freud, pelo menos, com a idade de 17 anos.


Seu grande amigo, Joseph Paneth, conheceu o filósofo em pessoa. Outro amigo, Sigfried Lipiner, foi reconhecido por Nietzsche explicitamente como seu discípulo. Com estes dois amigos, Freud criou uma revista de filosofia de inspiração materialista, que durou apenas alguns meses.
Mais tarde, em 1908, quando a psicanálise já foi fundada, A Genealogia da Moral de Nietzsche foi objeto de sessões de psicanálise na quarta-feira. Em 1911, Alfred Adler, que considera a neurose causada por desejo excessivo de poder, se separou definitivamente de Freud.
Em 1912, após o congresso psicanalítico em Weimar, durante o qual um grupo fez uma visita à irmã do filósofo, Elisabeth, Lou Andreas-Salomé, amiga e discípula de Nietzsche entrou para o movimento psicanalítico. Muitos dos seguidores de Freud tentaram estabelecer a relação entre o professor e filósofo alemão (por exemplo, o jovem Binswanger, Otto Gross, Otto Rank e Arnold Zweig). O próprio Freud tem, por vezes, Nietzsche como precursor intuitivo da psicanálise.


ESTUDO INVESTIGA E RESPONDE SE FREUD LEU NIETSZCHE


Doutrina

b) Do ponto de vista doutrinal, a influência de Nietzsche sobre Freud pode ser vista em muitas questões, como o inconsciente e a origem da consciência moral.
Um tema básico comum a ambos os pensadores representa a derivação “do alto a partir do baixo”. Tudo o que parece nobre e puro, seria nada mais que uma sublimação de unidades. Na verdade, o cristianismo e a moral da civilização ocidental são a principal causa da neurose, como Freud afirma claramente; você pode ver, por exemplo, em Moral sexual ‘civilizada’ e doença nervosa moderna (1908). Em Cinco Lições de Psicanálise (1909), nos lembra a concepção nietzschiana dos cristãos neuróticos e exaustos: “A neurose substitui no nosso tempo o convento em que eles usaram para retirar todas as pessoas a quem a vida tinha decepcionado ou que se sentiram muito fracos para lidar com isso. ”
Nos escritos de Freud aplica a maturidade do método genealógico de Nietzsche para a análise da cultura, especialmente a religião. Assim, em Totem e Tabu , Freud analisa a origem da religião católica e da Eucaristia, e os torna derivados de seu famoso caso de assassinato do primeiro pai.
“No mito cristão, o pecado original do homem significa, sem sombra de dúvida, uma ofensa cometida contra deus-pai. Ora, se Cristo, ao oferecer a sua própria vida em sacrifício, redime os homens do peso do pecado original, isso obriga-nos a concluir que esse pecado foi um crime de morte. Segundo a lei de talião, tão profundamente enraizada nos sentimentos humanos, um crime de morte só pode ser redimido pela oferta do sacrifício de uma outra vida; o sacrifício de si-próprio remete para um crime de sangue86. E, se este sacrifício da própria vida vai permitir a reconciliação com deus-pai, então o crime a ser expiado não pode ter sido outro senão o homicídio do pai.”
No final de sua vida em Moisés e o Monoteísmo , o “mestre de Vienna” continua esta discussão. Crime primitivo, que a tradição judaico-cristã miticamente chama de “pecado original”, tende a voltar à consciência da humanidade. Cristianismo excede o monoteísmo judaico como uma religião, porque admite a morte de Deus.
Naturalmente, esta confissão da morte de Deus no Cristianismo é mascarada, não completamente revelada. Portanto, em vez de se manifestar de forma clara a consciência, ela aparece sob a forma de sintomas, isto é, como neurose.
(…).

Conclusões (?)

De acordo com Ernest Jones, biógrafo e conhecedor pessoal de Sigmund Freud , este muitas vezes disse que Nietzsche tinha “conhecimento de si mesmo mais penetrante do que qualquer homem que já viveu ou que possa ter vivido” (Jones, A vida e obra de Sigmund Freud) .
É amplamente reconhecido que – juntamente com Arthur Schopenhauer – Nietzsche constituiu a base cultural para a produção de Freud, segundo Ernest Gellner. No entanto, Jones relata que Freud desmentiu energicamente o fato de que os escritos de Nietzsche tinham influenciado suas descobertas psicológicas.