quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O que são as runas, o método de adivinhação dos vikings...


Quem se interessa por assuntos relacionados ao ocultismo e ao misticismo já ouviu falar nas runas; no entanto, poucas pessoas conhecem as origens deste método de adivinhação que remonta muitos séculos, quando os vikings ganhavam os mares do norte da Europa e espalhavam o medo por várias vilas. Muito além de uma forma de conversar com espíritos e deuses, as runas também eram usadas para escrever sagas, aventuras e desventuras. Um sistema complexo de cultura, folclore, escrita e historiografia.


Originalmente, as runas são um conjunto de alfabetos relacionados à cultura germânica. Eram usadas na escrita de diversos idiomas antigos – alemão, sueco, inglês arcaico etc. – usados pelos povos vikings, germânicos e bretões. Cada povo e cada cultura tinha a sua runa, não sendo, portanto, um sistema único e uniforme. Era uma forma antiga de escrever esses idiomas que se perpetuou de três formas, a seguir:

1º Através das inúmeras pedras espalhadas pela Escandinávia, principalmente na Suécia, onde os vikings escreveram seus limites territoriais, sepulcros, locais religiosos etc.

2º Através das antigas sagas que contam, em linguagem arcaica, as conquistas empreendidas pelos mares do Norte, como a conquista da Islândia, a chegada à Groenlândia e a primeira colonização da América, em Vinland. Recentemente escrevi sobre as conquistas vikings no nosso continente. Você pode ler clicando aqui.

3º Através dos métodos de adivinhação das runas, que hoje são muito populares graças à moda wicca, que mistura elementos celtas com ocultismo nórdico. No entanto, cada cultura tinha a sua forma de adivinhar o futuro com esse alfabeto.



As runas mais populares são a escandinava – conhecida como “Futhark”, derivado das primeiras letras desse alfabeto: F, U, Th, A, R, K – e a versão bretã, conhecida como “Futhorc”. As inscrições mais antigas até hoje encontradas vêm do ano 150 d.C. e acabou entre os séculos 7 e 11 da nossa era, quando a Germânia e a Escandinávia foram cristianizadas e seus métodos foram proibidos, considerados pagãos.

As peças consistem em ossos polidos, ou mármore e granito, onde cada pecinha tem gravada uma letra deste alfabeto. A pessoa retira três letras, onde o místico faz a combinação e cada letra tem um valor específico e que mostraria a realidade futura daquela pessoa. Os vikings acreditavam que assim os deuses poderiam se comunicar mais facilmente com os mortais.

A adivinhação rúnica ficou preservada secretamente nos ambientes rurais sueco e finlandês por muitos séculos, quando voltaram à voga na Europa e nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século 20. O retorno ao paganismo de diversos grupos fez com que a metodologia ficasse em evidência a partir dos anos 1960.


A origem mitológica...
Contam as lendas vikings que os deuses moravam em Asgard, um lugar localizado no topo de Yggdrasil, a árvore que sustenta os nove mundos. Nesta árvore, o deus Odin conheceu a sua maior provação e descobriu o mistério da sabedoria: as runas. Alguns versos do Edda Maior, um livro de poemas compostos entre os séculos 9 e 13, cantam esta aventura de Odin em algumas de suas estrofes:

Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento,
Lá balancei por nove longas noites,
Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odin,
Eu em oferenda a mim mesmo:
Amarrado à árvore
De raízes desconhecidas.
Ninguém me deu pão,
Ninguém me deu de beber.
Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas,
Até que vi as runas.
Com um grito ensurdecedor peguei-as,
E, então, tão fraco estava que caí.
Ganhei bem-estar
E sabedoria também.
Uma palavra, e depois a seguinte,
conduziram-me à terceira,
De um feito para outro feito

Esta é a criação mítica das runas, na qual o sacrifício de Odin (que logo depois foi ressuscitado por magia) trouxe para a humanidade essa escrita alfabética antiga, cujas letras possuíam nomes significativos e sons também significativos, e que eram utilizadas na poesia, nas inscrições e nas adivinhações, mas que nunca chegaram a ser uma língua falada.



Atualmente, cada pessoa interessada nessa cultura faz o jogo de runas de acordo com aquilo que conhece. Poucos adivinhos conhecem o folclore viking e as origens deste método, tão popular por tantos séculos entre os grandes conquistadores medievais dos mares.

Jack Estripador: a confusa história do serial killer mais famoso da história!


Por cinco vezes o homem de aspecto insuspeito deslizou entre os becos do bairro de Whitechapel (foto abaixo), em Londes. Nessas vezes falou com mulheres da rua, e em cada uma dessas a mulher morreu esfaqueada – a marca sangrenta desse homem conhecido pela imprensa sensacionalista da época como “Jack the Ripper”, ou “Jack Estripador”. Dezenas de detetives criaram as mais diversas teorias sobre a identidade do assassino, que oficialmente nunca foi descoberta.


Whitechapel era uma úlcera londrina na época vitoriana: prostíbulos, casas de jogos, bares, marginais, assassinatos frequentes. Durante a noite a situação ficava cada vez mais perigosa, principalmente com a venda ilícita de sexo, drogas e jogos de azar enquanto famílias com vários filhos se acotovelavam em cortiços imundos. Foi nesse ambiente que em 1888 Jack atuou pela primeira vez.

Mary Ann Nicholls, de 42 anos, era uma prostituta já considerada velha demais pelos clientes bêbados. Tinha dificuldades para pagar por uma cama quente, um pedaço de pão e um prato de sopa. Até que em uma noite encontrou-se com um homem – a esperança de um encontro sexual e algumas moedas. Jack cortou-lhe a garganta, e o seu corpo foi descoberto por um carroceiro na manhã de 31 de agosto de 1888. Assim começou a tragédia inglesa mais lembrada na história da imprensa.



O criminoso esperou exatamente sete dias para atacar mais uma vez. A vítima foi, de novo, uma prostituta: Annie Chapman, de 47 anos; ela tinha tuberculose quando Jack atacou. O corpo foi encontrado nos fundos de um mercado, com um corte que ia da garganta até a vagina.

Os boatos povoaram toda Londres causando desespero e a imprensa sanguinolenta divulgou romances de folhetins criminosos falando sobre os crimes. A imprensa inventou que o homem levava suas pequenas facas em uma mala preta. Todas as pessoas que andavam com uma era parada por uma multidão desesperada. Voluntários organizaram patrulhas por toda Whitechapel e a polícia interrogou mais de 200 pessoas. O problema é que Jack Estripador não deixava vestígios. Na época, a polícia descobriu apenas que ele era canhoto e que tinha conhecimentos de medicina ou açougue.


Em 20 de setembro, Jack atacou duas mulheres em um espaço de poucas horas e, dessa vez, deixou uma pista para trás. Foram encontradas mortas Liz Stride e Kate Eddowers – a mais esquartejada. Um rastro se sangue ia até uma porta onde estava escrito “Os judeus não têm culpa de nada”. A polícia calculou que, então, o assassino era um judeu louco, talvez médico ou açougueiro.

Enquanto isso, a imprensa soltava teorias que atrapalhavam as investigações e deixavam a população em desespero: “Jack era um médico insano fugitivo de um manicômio”, “Jack era um judeu polonês”, “Jack era um agente secreto russo”, “Jack era um pastor anglicano revoltado com a depravação do bairro”. E isso tudo até que em 09 de novembro de 1888 ele atacou de novo!


A vítima foi Mary Kelly, de 25 anos, encontrada com os membros mutilados em seu quartinho. Dessa vez havia uma testemunha, que a viu ser abordada por um homem de baixa estatura, bigode loiro e chapéu de caçador. A Scotland Yard nunca chegou perto de Jack Estripador, tornando-se comum na mídia vários filmes sobre o caso misterioso. Em 1994 o caso foi para o Arquivo Público do Reino Unido, onde ficou disponível para a pesquisa de qualquer pessoa. Nas fotos abaixo, cartas enviadas pelo criminoso à polícia na época.



Teoria mais provável, segundo os especialistas...
A teoria mais provável foi pesquisada por Daniel Farson, que baseou suas pesquisas em cima das anotações de Melville Macnaghten, detetive da Scotland Yard que participou do caso e em 1903 se aposentou. De acordo com o levantamento, a polícia se concentrou no médico russo Mikhail Ostrong, um judeu barbeiro polonês conhecido popularmente como Kosmanski e um advogado com fama de tarado, chamado John Druitt. Atualmente, a polícia londrina considera Druitt o culpado.





Segundo pesquisas, os membros da família Druitt trocaram cartas entre si comentando o fato de John poder ser o assassino. Em Whitechapel havia uma clínica cirúrgica do doutor Lionel Druitt, estando a apenas dez minutos de caminhada do lugar mais distante de um dos crimes, e John (foto abaixo) sempre aparecia por lá. A mãe de John tinha problemas mentais, bem como outros parentes dele.


John Druitt nunca foi preso, mas havia sido interrogado uma vez. Escapou facilmente da justiça. Depois da última morte, ele desapareceu. Seu corpo apareceu flutuando algumas semanas depois no leito imundo do Rio Tâmisa, que corta Londres. O homem cometera suicídio por afogamento.

Este homem, conhecido como Jack Estripador, tornou-se o serial killer mais famoso da história e envolto a um mistério que durou muitas décadas. Seus atos insanos, cheios de mistério, serviram para modernizar a imprensa sensacionalista e popularesca, que misturava realidade e fantasia na procura por lucros.

As curiosas semelhanças entre Abraham Lincoln e John Kennedy: fato ou farsa?

orlando castor


Existe uma lenda urbana nos Estados Unidos propagada desde os anos 70 que fala sobre terríveis semelhanças entre dos ex-presidentes norte-americanos: Abraham Lincoln e John F. Kennedy. Ambos são figuras emblemáticas na história daquele país e, por isso, a sucessão de coincidências assustou muitas pessoas entusiastas da teoria conspiratória da maldição da família Kennedy.

Esses tópicos voltaram à voga com a popularização da internet e falam que Lincoln (presidente entre 1861 a 1865) e Kennedy (presidente entre 1961 e 1963) têm um misterioso fio de tramas esquisitas. Mas será isso tudo um fato ou uma farsa? É o que poderemos descobrir a partir de agora. Voilà!



- Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso americano em 1846. John Kennedy, em 1946!
Kennedy foi eleito pela primeira vez em 1946 como deputado federal e Lincoln foi eleito em 1846. Porém, Lincoln foi reeleito para o cargo, enquanto Kennedy teve que terminar seu primeiro mandato na Casa Branca antes de assumir no congresso.

- Lincoln foi eleito presidente em 1860, Kennedy em 1960!
Ambos foram eleitos presidente com cem anos de diferença entre as eleições.

- Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
Os sobrenomes têm o mesmo número de letras! Aliás, vários presidentes dos Estados Unidos também tiveram (ou têm) sobrenomes com sete letras. Jones Madison e Andrew Jackson foram dois deles. A coincidência entre os nomes dos dois acaba aí! Os nomes de ambos têm quantidades diferentes de letras e, além disso, Kennedy tinha um nome do meio, Fitzgerald.

- Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
Essa afirmação foi criada para ser bastante abrangente. Qual o político que não seria tão inteligente ao ponto de não “lutar pelos direitos civis”? Acreditamos que esse seja um mote usado em todas as campanhas presidenciais. E cada um defendeu algo relativo ao seu tempo.

- As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca!
A esposa de Lincoln perdeu três filhos enquanto ainda eram crianças. Uma delas quando Lincoln já era presidente. A esposa de Kennedy teve um aborto quando o marido já estava na Casa Branca. Se na época de Kennedy, a mortalidade infantil era alta, imagine cem anos antes?

- Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
Segundo o escritor e pesquisador Josep Albaigès, Lincoln realmente queria era salvar a unidade da América e da libertação dos negros era uma mera consequência da guerra, enquanto para Kennedy os direitos dos negros não eram tão importantes assim como seriam para seu sucessor, Johnson.

- Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira!
Lincoln foi assassinado no dia 14 de abril de 1865 e Kennedy no dia 22 de novembro de 1963. Os dois dias caíram numa sexta-feira! Quantos outros presidentes também morreram numa sexta-feira?

- Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça!
Ambos foram assassinados com tiros na cabeça! Acredita-se que os alvos mais prováveis de um assassino são o peito e a cabeça. A “coincidência” foi que os dois assassinos optaram pela cabeça de suas vítimas, mas não por escolha. Kennedy estava dentro de um automóvel – que deixava sua cabeça desprotegida – enquanto que Lincoln estava sentado em uma poltrona – que o deixou também com a cabeça desprotegida.

- Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa!
Como os presidentes foram assassinados durante um evento publico, era de se esperar que estivessem em companhia de suas esposas.

- A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro. A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas!
De fato, Jonh Kennedy tinha uma secretária chamada Evelyn Lincoln. Porém, não há nenhum registro de funcionária chamada Kennedy trabalhando com Lincoln. Aliás, os únicos secretários documentados de Lincoln foram John G. Nicolay e John Hay.



- Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas!
John Wilkes Booth, o assassino de Lincoln, nasceu no estado de Maryland que fica na região nordeste dos Estados Unidos. Lee Harvey Oswald, assassino de Kennedy, nasceu no estado de Louisiana. Portanto, só Lee pode ser considerado sulista.

- Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas!
Sim, verdade.

- Ambos os sucessores chamavam-se Johnson!
Também é verdade.

- Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808. Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908!
Sim, verdade!

- John Wilkes Booth, que assassinou Lincoln, nasceu em 1839. Lee Harvey Oswald, que assassinou Kennedy, nasceu em 1939!
John Booth nasceu em 1838. Lee nasceu em 1939. Ou seja, são 101 anos de diferença!

- Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
Pelo menos na mídia impressa, tanto um como o outro assassino são mencionados de maneiras diferentes. John Wilkes Booth, por exemplo, é citado como “J. Wilkes Booth”, “John Booth” ou apenas “Booth”. Lee Harvey Oswald também foi mencionado de diversas formas pela imprensa. Essa frase foi meio distorcida para se adequar ao posto de coincidência.

- Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras!
Verdade.

- Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito. Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema!
Booth deu um tiro em Lincoln dentro de um teatro e, depois de vários dias fugindo, foi preso e morto dentro de um galpão de tabaco. Lee Oswald atirou de dentro (ele estava dentro, mas a vítima estava lá fora) de um depósito de livros e foi apanhado vivo em uma sala de cinema. Nesse tópico, a frase também sofreu uma leve distorção para se adequar à coincidência.

- Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
Sim, é verdade.

- O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham e teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
Abraham Zapruder filmou o assassinato de John Kennedy. O Teatro Ford pode ter sido propriedade de alguém chamado John, um nome comum...

- Lincoln foi morto no Teatro Ford. Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln...
Verdade.



Ou seja, essa lenda ainda permanece viva para várias pessoas que creem cegamente nela. Em um balanço geral, temos cinco afirmações falsas, cinco meias-verdades e onze pontos que podem ser verdadeiros. Coincidências à parte, é tudo muito interessante.

Curiosidades sobre o olho de Hórus, ou “Udayt”...


Sempre que se fala em ocultismo, bruxaria e misticismo ele estará lá: o famoso olho de Hórus, que para muitos céticos estudiosos é um símbolo presente na escrita hieroglífica do Egito Antigo. Também conhecido por alguns como Udyat, ele simboliza muito mais que um significado egípcio, mas também proteção e poder. Na época dos faraós era considerado um amuleto sagrado capaz de tirar o mau olhado e desviar a inveja.


Segundo a lenda do Egito Antigo, o olho esquerdo de Hórus simbolizava a Lua e o direito, o Sol. Durante uma luta, o deus Seth arrancou o olho esquerdo de Hórus, o qual foi substituído por este amuleto, que não lhe dava visão total, colocando então também uma serpente sobre sua cabeça. Depois da sua recuperação, Hórus pôde organizar novos combates que o levaram à vitória decisiva sobre Seth. Era a união do olho humano com a vista do falcão, animal associado ao deus Hórus. Era usado, em vida, para afugentar o mau-olhado e, após a morte, contra o infortúnio do além.

O olho direito de Hórus representa a informação concreta, factual, controlada pelo hemisfério cerebral esquerdo. Ele lida com as palavras, letras, e os números, e com coisas que são descritíveis em termos de frases ou pensamentos completos. Ele aborda o universo de um modo masculino. Já o olho esquerdo representa a informação estética abstrata, controlada pelo hemisfério direito do cérebro. Lida com pensamentos e sentimentos e é responsável pela intuição. Ele aborda o universo de um modo feminino.


Por representar um deus muito forte, potente e importante, ganhou outros significados, como a matemática. O olho de Hórus, em fragmentos, entrava no sistema numérico simbolizando frações; assim, meio olho era ½, por exemplo.

Hoje em dia ele é muito usado na superstição para espantar o mal e a inveja para cima de quem utiliza-se do amuleto, atraindo poder, vigor, proteção e saúde. No entanto, é muito confundido com o olho da Providência Divina, o olho que tudo vê e tudo sabe. Por ser um símbolo comum do ocultismo e do desconhecido, acabou também sendo misturado a teorias conspiratórias, associando-o a ordens secretas.


O uso do “udyat” na medicina...
Um dado interessante é que o olho de Hórus está, também, presente na medicina e sua origem é bem especulada. Uma das explicações é a que aponta uso do amuleto como proteção e busca de boa saúde; assim, os faraós usavam o símbolo para a boa recuperação em um período de doença. Por ser ainda considerado o olho poderoso de um deus, tornou-se o símbolo da radiologia; é muito comum encontrarmos olhos de Hórus em algumas clínicas de raio-x em algumas partes do mundo simbolizando essa prática médica. O símbolo une um olho humano com as marcas de um falcão, ou cicatrizes da restauração, pois Hórus tinha a cabeça de falcão. Tem sido usado por séculos, representando saúde e proteção.

As curiosidades envolvendo a lenda de Excalibur, a espada milagrosa...


Excalibur é a espada mágica do Rei Artur, atribuída à soberania de toda a Grã-Bretanha. Faz parte do folclore daquele povo, assim como o Saci faz parte das nossas histórias folclóricas. O problema surge quando alguns estudiosos apontam que a lenda seria verdadeira. Em cada região da Bretanha há uma versão diferente desse mito, mas em geral há uma linhagem comum: o rapaz que retira da pedra uma espada poderosa que lá estava fincada.


O nome Excalibur, aparentemente, tem origem na palavra galesa “Caledfwlchs”, que é a combinação das palavras “batalha/dura” e “violação”. O autor Monmouth, ao traduzir o mito para o latim traduziu para “Caliburnus”, influenciado pela palavra latina “chalybs”, que significava “aço”. Essa tradução foi feita no início do século 13 e, então, ganhou o mundo.

Caledfwlchs aparece primeiramente em várias obras mitológicas galesas, como sagas, poemas, prosas e coros. Parece ser um artefato muito importante para esse grupo étnico. Historiadores e professores de literatura inglesa medieval apontam que o termo “Caledfwlchs” aparece centenas de vezes em contos diversos escritos entre 950 e 1350, não somente no enredo do Rei Artur.

Mas já sabemos como Caledfwlchs virou Caluburnus. Mas e Excalibur? Simples. Isso aconteceu com as traduções francesas das sagas britânicas. Os primeiros registros de traduções aparecem como “Escalibor”, depois “Excaleibor” e, finalmente, “Excalibur”.


A partir da França, a lenda do Rei Artur ganhou a Europa. Dizia-se que nas ilhas britânicas havia um rei cuja espada cortava ferro como um machado afiado corta madeira. Assim nasceu a antropomorfização do mito: espalhou-se rapidamente a história desse reinado, da espada e de tudo mais. É por isso que muitos pseudo-historiadores creem na existência deste tempo lendário. E não é de se assustar que os europeus do continente acreditassem nessa história que ouviam: o período medieval foi repleto de boatos envolvendo o sobrenatural, religiões e muito misticismo.

A história de Excalibur e o Rei Artur...
No romance arturiano, há uma série de explicações sobre a posse de Artur em relação à espada poderosa. Como havia dito, no entanto, por ser grande parte de relato oral registrado mais tarde, a cada canto da Bretanha há um detalhe ou outro diferente. (1) Na versão mais conhecida, Artur obteve o trono puxando a espada de uma pedra, coisa que ninguém nunca havia conseguido, isso só porque o “verdadeiro rei puro de coração” poderia fazê-lo. (2) Numa outra versão, Excalibur é dada a Artur pela Dama do Lago, logo após seu reino começar. (3) Em outra versão, a espada é dada a Artur quando ele joga um dragão em um lago, e como oferenda as ninfas deram-lhe esse presente. (4) Por fim, há uma versão explicando que havia duas espadas, e Artur com sua sabedoria escolheu a verdadeira, Excalibur, a da justiça universal.

Curiosamente, nos séculos 15 e 16, várias pessoas se comprometeram a encontrar Excalibur. Alguns reis da Inglaterra tiveram essa mania cega, crendo que, assim, poderiam dominar toda a Europa e algumas colônias americanas. Esse foi mais um motivo para suscitar a busca recente, após a década de 1950, entre historiadores a favor da corrente chamada história alternativa.

Junto à história de Excalibur, o Rei Artur também carrega outro mito bastante forte envolvendo um objeto sagrado: o Santo Graal. Recentemente escrevi um post abordando as origens desse mito, que se intercala com os Cavaleiros Templários e a miscelânea teórica promovida por Dan Brown. Você pode ler clicando aqui.


No balanço geral desses apontamentos, podemos afirmar que Excalibur é um mito contíguo ao do Santo Graal e outros tantos. Folclore de um canto da Europa que ganhou tons de realidade por conta do fanatismo medieval e apego material aos objetos tidos como milagrosos, e isso retoca e retoma os dias de hoje, quando as teorias da conspiração nunca estiveram tão em voga.

Conspiração jesuíta: você já ouviu falar nela?


Na história da humanidade sempre houve um lote de teorias da conspiração, algumas bem famosas: o homem não teria ido à Lua, a Área 51 é um local que o governo americano esconde o que sabe sobre alienígenas, os homens de preto realmente existem, os atentados às Torres Gêmeas foi uma orquestração internacional etc. Entretanto, há outras bem particulares mas não tão conhecidas, como é o caso da conspiração jesuíta, que refere-se a uma história envolvendo os padres da Companhia de Jesus, da Igreja Católica.


Um breve panorama...
A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma congregação religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes de teologia da Universidade de Paris, liderados por Inácio de Loyola (foto abaixo). Foi criada no auge do desencadeamento da Reforma Protestante no norte da Europa. A companhia estava inserida no que a história chamou de Contrarreforma Católica.

Com a expansão do protestantismo, a Igreja e o papado decidiram expandir a fé com um “exército”. Assim, em 1540, uma bula religiosa reconheceu a ordem que tinha como missão levar o catolicismo aos confins do planeta com trabalho missionário e educacional. Desta forma que o catolicismo pôs os pés nas colônias americanas e chegou até o Japão.


A conspiração e a trama...
Os primeiros registros de conspirações são encontrados na “Monita secreta”, produzidos no início do século 17. São documentos fictícios alegando que os padres estariam ganhando riqueza por meios ilícitos. Na mesma época, a Ordem da Santa Inquisição, na Espanha, já havia alertado a coroa de que os jesuítas eram um pouco “secretistas”.

A Reforma Protestante, e, sobretudo, a Reforma Anglicana, trouxe novas suspeitas contra os jesuítas que eram acusados de infiltração políticas nos reinos e igrejas evangélicas. Na Inglaterra, foi proibido de pertencer aos jesuítas, sob graves sanções, incluindo a pena de morte.

O desenvolvimento do jansenismo na França do século 18 levou a rivalidades internas na Igreja entre jesuítas e os jansenistas e, embora os jesuítas pró-papais, em última instância, prevaleceram, custou-lhes caro no que diz respeito à sua reputação na galicana largamente influenciada pela Igreja francesa.


Nas colônias ibéricas na América não foi diferente: os padres jesuítas começaram a ganhar forte influência entre os nativos e fundavam colônias de trabalho praticamente independentes aos regimentos das coroas. Além de catequizar os indígenas, também passaram a aprender os idiomas locais, mas esse processo não era pacífico e muitos índios morreram nas torturas acusados de adoradores de Tupã. Entretanto, esses índios “civilizados” eram bem vistos como escravos já domesticados e, vez por outra, colônias jesuítas eram invadidas por bandeirantes.

No século 18, a situação estava insustentável em todo o planeta colonizado. Os jesuítas tinham mais poder do que os líderes locais nas colônias e até mais dinheiro que a metrópole. Dizia-se haver ali uma conspiração jesuítica contra a burguesia e a maçonaria, quando esses setores pressionaram governos e a própria Igreja.

A solução passageira do caso...
Sob enorme pressão política e social, as coroas de Portugal, Espanha e França começaram a expulsar os jesuítas de seus territórios além-mar a partir de meados de 1770. Esperta foi a coroa russa, que atraiu para seu território os padres exilados, uma vez que eram conhecidos literatos e, então, poderiam melhorar o nível educacional da população burguesa daquele reinado. O mesmo ocorreu em alguns pequenos reinos independentes da Prússia.


Muitas conspirações antijesuíticas emergiram ao longo do século 18, com o Iluminismo, como parte de uma suposta rivalidade secular entre a maçonaria e a Companhia de Jesus. Os ataques dos intelectuais aos jesuítas foram vistos como uma contraprova eficiente para o movimento antimaçonaria promovido por conservadores, e este padrão ideológico de conspiração persistiu até o século 19 com a publicação de “O judeu errante”, clássico do melodrama de Eugène Sue.

Teorias de conspiração de épocas anteriores frequentemente incidiram sobre a personalidade de Adam Weishaupt, um professor de direito que foi educado em uma escola jesuíta e criou a Ordem Illuminati. Weishaupt era acusado de ser o líder secreto da Nova Ordem Mundial, e mesmo de ser o próprio demônio. Augustin Barruel, um ex-jesuíta, escreveu longamente sobre Weishaupt, alegando que estes illuminati tinham sido os promotores secretos da Revolução Francesa.

Recentemente, escrevi sobre a Ordem Illuminati. Você pode conferir clicando aqui!


Na China e no Japão, os jesuítas foram acusados por vários imperadores de jogar política imperial, e o seu envolvimento no caso dos ritos chineses, em última análise, a ordem foi obrigada a reduzir as suas atividades no Extremo Oriente.

Na década de 1980, reivindica-se que líderes radicais jesuítas conduziam movimentos revolucionários na América Latina que levou a suspeita generalizada contra a Companhia pela ala direita dos governos latino-americanos, e também uma repressão gerada pela Teologia da Libertação do Santo Ofício.

O fato é que a conspiração envolvendo o nome dos jesuítas ganha a internet aos poucos, e eu não vou ficar assustado se alguém começar a associá-los a tramas à la Dan Brown: Illuminati, Rosacruz, Templários etc. Inclusive já há um site que declara a Ordem Jesuíta herdeira direta dos Cavaleiros Templários. É dose?!

Papisa Joana: será que a Igreja teve uma mulher como um líder máximo?!


Desde sempre há uma história envolta em mito e cultura anticlerical: a Papisa Joana, que teria sido a única mulher a liderar o catolicismo por três anos. Essa lenda começou na Europa durante o final da Idade Média e se perpetua até hoje. Livros foram lançados, documentários abordam o tema e há uma certeza: de que ainda não há consenso algum acerca deste complexo tema.


Como surgiram a lenda e algumas versões...
A história da papisa pode ter aparecido pela primeira vez em alguns documentos do ano 1100. Outro cronista, desta vez do século 13, data o papado de Joana de até três séculos e meio antes, depois da morte do Papa Leão IV, coincidindo com uma época de crise e confusão na diocese de Roma. Joana ocupou o cargo durante três anos, entre o Papa Leão IV e o Papa Bento III (anos de 850 e 858).

A história possui várias versões. Segundo alguns relatos, Joana teria sido uma jovem oriental, nascida com o possível nome de Giliberta, talvez vinda de Constantinopla, que se fez passar por homem para escapar à proibição de estudar, imposta às mulheres na época. Extremamente culta, possuía formação em filosofia e teologia. Ao chegar a Roma, apresentou-se como monge e surpreendeu os doutores da Igreja com sua sabedoria. A mesma lenda conta que Joana se tornou amante de um oficial da Guarda Suíça e ficou grávida.

Outra versão, atribuída a Martinho de Opava, afirma que Joana teria nascido na cidade de Mainz, na Alemanha, filha de um casal inglês. Na idade adulta, conheceu um monge por quem se apaixonou. Foram ambos para a Grécia, onde passaram três anos, após o que se mudaram para Roma. Para evitar o escândalo que a relação poderia causar, Joana decidiu vestir roupas masculinas, passando assim por monge, com o nome de Johannes Angelicus, e teria então ingressado no mosteiro de São Martinho. Conseguiu ser nomeada cardeal, ficando conhecida como João, o Inglês. Segundo as fontes, João, em virtude de sua notável inteligência, foi eleito Papa por unanimidade após a morte de Leão IV, ocorrida em 17 de julho de 855.


Apesar de ter sido fácil ocultar sua gravidez, devido às vestes folgadas dos papas, acabou por ser acometida pelas dores do parto em meio a uma procissão numa rua estreita, entre o Coliseu de Roma e a Igreja de São Clemente, e deu à luz perante a multidão. As versões divergem também sobre este ponto, mas todas coincidem em que a multidão reagiu com indignação, por considerar que o trono de São Pedro havia sido profanado. João/Joana teria sido amarrada num cavalo e apedrejada até a morte. Noutro relato, Joana teria morrido devido a complicações no parto, enquanto os cardeais se ajoelhavam clamando: “Milagre!”.

A história foi publicada pela primeira vez no século 13 pelo escritor Esteban de Borbón e espalhada pelos séculos, porém sem provas. O teólogo David Blondel e o filósofo alemão Wilhelm Leibnitz, além dos enciclopedistas franceses, rotularam a história como falsa. Em 1886, voltou a ser difundida pelo escritor grego Emmanuel Royidios no romance “A Papisa Joana”.


Investigação mais profunda...
A história do possível papado de Joana rendeu um cisma na historiografia religiosa; alguns pesquisadores a aceitam justamente pela época corresponder a uma confusão dentro do catolicismo. Outros contestam alegando ser invenção. Quem defende a teoria conspiratória aponta que a maior prova é o exame aplicado até 1800 aos papas eleitos, que deveriam postar-se nus diante de um pequeno colegiado para, então, provar a sua masculinidade.

Alguns céticos afirmam que o mito pode ter surgido em Constantinopla, devido ao ódio da Igreja Ortodoxa contra a Igreja Católica. O objetivo seria desmoralizar a igreja rival. Outra vertente é de que este papa seria, na verdade, um eunuco que, por ser castrado, não foi eleito. Outra hipótese é que, no século 13, o papado tinha um grande número de inimigos, especialmente entre a Ordem dos Franciscanos ou a dos Dominicanos, descontentes com as diversas restrições a que eram submetidas. Para se vingar, teriam espalhado verbalmente a história da papisa.

Outro fato interessante é que a história da Papisa Joana nasce no período anterior ao Cisma do Oriente, quando as igrejas cristãs rompem e ganha força e popularidade logo após 1520, época que Lutero rompe com o catolicismo e inicia o movimento de Reforma Protestante. Ou seja, os historiadores dizem que os fatos comprovam que Joana poderia ser um embuste para desmoralizar a Igreja em duas épocas em que a informação demorava meses, ou anos, para circular dentro da Europa.


Já quem defende a história envolvendo Papisa Joana aponta que o acervo histórico do Vaticano permanece fechado à pesquisa e que a Igreja é, e continua sendo, muito misógina; portanto, é natural a negação do papado de uma mulher. Um dos sinais mais interessantes da existência de Joana é um decreto publicado pela corte de Roma, proibindo que se colocasse Joana no catálogo dos papas.

Genebrardo, arcebispo de Aix, afirma que, durante perto de dois séculos, a Santa Sé foi ocupada por papas de um desregramento tão espantoso que eram dignos de serem chamados apostáticos e não apostólicos, e acrescenta que as mulheres governavam a Itália.Assim, alguns historiadores explicam que, muito provavelmente, a Papisa Joana não tenha existido, mas Joana sim. Com tanto desregramento papal e escândalos em Roma, era natural que os clérigos tivessem amantes e famílias. Portanto, Joana poderia ter sido uma amante mandona de algum papa.

A lenda da Papisa Joana foi imortalizada no jogo de tarô através da carta “A papisa”, que representa sabedoria, conhecimento, intuição, sexto sentido e descoberta de grandes mistérios. Recentemente, escrevi um post sobre a cultura do tarô, que originalmente não tem nada de adivinhação. Para saber, clique aqui e aqui!


No geral, podemos afirmar que não há fundamento histórico algum para comprovar a existência da Papisa Joana, mesmo com os adeptos da teoria da conspiração dizendo que a Igreja, com todo o seu poder, tenta acobertar os fatos. Ou seja, tudo indica que essa seja uma tremenda farsa para desmoralizar a instituição em períodos conturbados da política através de exemplos bastante reais: o excesso de sexualidade entre os clérigos.

Considerações sobre Nero, o imperador considerado louco...

orlando castor

Nero Cláudio César Augusto Germânico. Um nome controverso na história que envolve um pouco de tudo: poder, exageros, loucura, crueldade, sexualidade, excentricidade. Vários têm sido os livros e documentários que tentam entender um pouco desde homem, nascido em 37 d.C. e que morreu no ano 68. Um imperador que governou o maior império do mundo, o Romano, de 54 até a sua morte. Por ser tão controverso e comum nos livros de história, decidimos fazer uma lista de considerações revelando o que é fato e o que é farsa na vida deste homem.


1º Apesar da tirania e da extravagância, durante seu poder, teve foco na diplomacia e no comércio, mas também tentou melhorar o nível cultural da sociedade, construindo teatros e estádios para competições desportivas;

2º Realmente mandou matar a sua mãe, Agripina, e seu irmão, Britânico. Perseguiu muitos cristãos que, mais tarde, foram reconhecidos como mártires pela Igreja. No entanto, conseguia enorme popularidade entre as classes mais baixas da população, talvez por conta da política do pão e circo;

3º Era sobrinho de Calígula, outro imperador com má fama histórica durante os tempos romanos;

4º Teoricamente, ele não teria direito ao trono romano. Mas uma série de complôs com assassinatos e casamentos fez com que seu tio se casasse com sua mãe, que voltava do exílio. Por ser mais velho que seu meio-irmão Britânico, tornou-se herdeiro direto;

5º Ganhou emancipação aos 14 anos de idade, ou seja, tornando-se maior de idade;


6º Os primeiros anos do seu reinado são conhecidos como exemplo de boa administração;

7º Nero teve vários casos extraconjugais, enquanto sua mãe tramava em favor do seu filho nos bastidores, a contragosto do Senado. Entretanto, o jogo virou quando ela descobriu a série de traições com escravas e estrangeiras, o que fez azedar o trato entre mãe e filho. Não procede a informação de que eles vivessem um romance incestuoso;

8º Quando Britânico ia ser declarado adulto, apareceu morto. Há a suspeita que Nero o envenenara com vinho, uma vez que Agripina já tramava para que o Senado proclamasse o enteado o verdadeiro herdeiro do trono romano. Diante disso, Nero colocou a mãe no exílio. Para continuar suas aventuras sexuais, em 59 decidiu cometer matricídio;

9º Com poder cada vez maior em suas mãos, tratou de matar quem aparecesse em seu caminho. Assim, tramou as mortes de antigos amigos, parentes e até mesmo da esposa Otávia. Com atitudes como estas, sua popularidade começou a cair. Diante disso, abriu tabernas de bebidas, liberou prostíbulos e expandiu o território na Armênia, o que fez tornar-se benquisto entre o povo;

10º Ficou ainda mais popular quando fez um decreto diminuindo alguns impostos e libertando alguns escravos presos por dívidas que, supostamente, jamais conseguiriam pagar. Além disso, praticamente cortou os impostos de gêneros alimentícios, o que diminuiu o custo de vida;


11º Recebeu graves críticas por usar dinheiro público em espetáculos artísticos e construção de obras de artes, como enormes estátuas. Amante de jogos, patrocinou muitas lutas entre gladiadores em várias partes do império;

12º Uma das lendas mais divulgadas sobre Roma e seu louco imperador Nero diz que ele mesmo colocou fogo na cidade quando viu seus projetos ruírem. No entanto, não existe nenhum documento que culpe o imperador; mais louca ainda é a historinha de que ele tocava violino alegremente enquanto a cidade ardia em chamas. O violino só foi inventado no século 16. De acordo com o historiador romano Tácito, Nero estava a uns 80 quilômetros de distância de Roma quando teve início o fogaréu; ainda segundo ele, o imperador mandou tropas para controlar o incêndio;

13º Durante catástrofes públicas em Roma, como o referido incêndio, Nero costumava abrir as portas dos prédios públicos para abrigar as famílias que ficaram sem lar;

14º Nero atribuiu o incêndio aos cristãos. Era notório e é um fato que ele tinha uma grande antipatia pela nova religião. Sua crueldade com judeus e cristãos entrou para a história. Muitos foram jogados em estádios durante espetáculos que eram devorados por feras como leões e cães. Entretanto, é um mito de que cristãos tenham sido mortos no famoso Coliseu Romano. Lá era palco de lutas entre animais e entre gladiadores;

15º Nero gostava de cantar, tocar harpa e escrever poesias e canções. Muito se perdeu ao longo da história, mas consta que ele gostava de cantar durante alguns saraus, enquanto inimigos políticos eram envenenados nesses sádicos jantares;


16º Quando foi morto, os políticos e as classes mais altas celebraram publicamente o fato, uma vez que os gastos públicos eram gigantescos com assuntos supérfluos e as tramas de morte, cada vez maiores. No entanto, as classes mais baixas sentiram-se desprovidas de futuro seguro. Extremamente populista e demagogo, Nero tinha o desejo de ser o mais popular possível;

17º Após sua morte, a nova aristocracia fez questão de retirar seu nome de monumentos. Surgiu em todo Império o mito de que ele estaria vivo em um exílio tramando sua volta triunfal, para deleite de seus correligionários e população mais pobre. Isso virou uma lenda tão popular que até mesmo Santo Agostinho o nomeia em sua obra como uma importante crença romana.


A história de Nero é muito controversa, principalmente por conta de fontes duvidosas. Há uma polaridade muito grande: ou são críticas, ou ufanistas. Outro problema é a distância: muito do escrito que nos chegou não é contemporâneo à sua governança, havendo um hiato de pelo menos 50 anos.

Há muitas farsas nessa história tão interessante, bem como fatos interessantíssimos. Apesar das fontes controversas, Nero realmente foi um homem psicopata que não via limites para seu maior objetivo: ser popular. Por isso tramou tanto, matou tanto e surpreendeu tanto. A maior história atribuída a ele – o incêndio – é um embuste que o folclore tratou de perpetuar.

Um nome tão importante da história não pode ficar resumido a poucas linhas de um blog e vários livros não seriam possíveis para tentar mostrar um perfil exato de alguém tão controverso.

Você já ouviu falar na Operação Ratlines dos oficiais nazistas?


Nos últimos anos, muitos antigos generais nazistas têm sido descobertos ao redor do mundo enquanto curtiam seus últimos anos de vida em total anonimato, como velhinhos simpáticos em cidades pequenas no Brasil, na Argentina, na Austrália e na África do Sul. Com identidades falsas, o passado destas pessoas parecia impossível de suposição. Assim foi com Joseph Mengele (foto abaixo), o famoso médico nazista que morreu no Brasil em 1979, em quase total anonimato. Isso tudo ocorreu graças a uma operação muito bem elaborada pelos nazistas com o final da guerra, as chamadas Ratlines.


As Ratlines – “linhas de ratos” – eram sistemas de fuga para os nazistas que deixavam a Europa com a derrocada de Hitler a partir de 1944, com a iminente derrota alemã. Os destinos variavam pouco e os antigos membros do partido tinham em mente locais seguros onde pudessem viver sob nova identidade. Em geral, os destinos mais procurados foram Argentina, Brasil, Paraguai, Chile e Austrália; em menor escala: Canadá, Estados Unidos, África do Sul e territórios do Oriente Médio.

Tudo isso foi feito com meticuloso trabalho da Odessa, sigla de Organização de Ex-membros da SS, num plano arquitetado por Otto Skorzeny. Ao que tudo indica, governos nacionais, alguns clérigos católicos e luteranos e instituições internacionais tiveram papel importante nas Ratlines. O objetivo era fugir da Alemanha e das condenações por crimes de guerra e demais atrocidades.


De acordo com documentos, o bispo católico Alois Hudal, membro honorário do Partido Nazista, era reitor de um seminário próximo a Roma e, lá dentro, passou a proteger alguns homens da SS. De dentro deste seminário, Hudal começou a emitir documentos falsos destes homens para que ganhassem vida nova como supostas vítimas da guerra, enquanto havia uma verdadeira marcha de emigrantes saindo do continente europeu.

Há comprovações de que as Ratlines foram bem mais distante do que podemos supor sem que a comunicação fosse interceptada pelos aliados da Grã-Bretanha e União Soviética. Pastores luteranos no continente americano recebiam instruções de como prosseguir e até alguns membros da Cruz Vermelha Internacional auxiliaram com essas fugas em troca de quantidades imensas de dinheiro.

A grande massa de nazistas acabou aportando nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, uma vez que esses países vinham recebendo grande quantidade de imigrantes europeus desde meados de 1830. Foi assim que nazistas como Adolf Eichmann (foto abaixo) ganhou uma longa vida em Buenos Aires até ser descoberto no início da década de 1960.


No polêmico livro “A verdadeira Odessa”, o argentino Uki Goñi aponta que o governo do seu país sabia da Operação Ratline e, inclusive, o então presidente Perón incentivou a ida de nazistas para a Argentina. É fato que os governos de Perón e Getúlio Vargas eram simpatizantes do fascismo antes de 1942, quando declararam guerra ao Eixo por pressão dos Estados Unidos.

Em fevereiro de 1946, na Argentina, o governo chegou a criar uma comissão de imigração para controle de entrada de europeus vindos da guerra. Tudo era um embuste para, secretamente, resgatar e salvar algumas figuras do alto escalão do Partido Nazista. No Brasil não houve incentivo enorme como o caso argentino. Entretanto, os incentivos foram muito grandes.

Nos últimos anos, as Ratlines têm sido estudadas por pessoas conhecidas como “caçadores de nazis”. Eles tentam interceptar a comunicação realizada na época a fim de prender esses homens e requererem as recompensas prometidas, que chegam às dezenas de milhares de dólares. O que impressiona é como uma verdadeira rede de fuga e falsificações ocorreu na Europa debaixo dos olhos dos aliados que guerreavam naquele território.


Alguns dos famosos nazistas que escaparam usando a Operação Ratlines: Adolf Eichmann, Franz Stangl, Gustav Wagner, Erich Priebke, Klaus Barbie, Edward Roschmann, Aribert Heim, Andrija Artukovic, Ante Pavelic, Walter Rauff, Alois Brunner e Joseph Mengele.

As teorias conspiratórias sobre os atentados de 11 de setembro de 2001...


Teorias conspiratórias existem desde sempre, uma vez que o ser humano sempre procurou enxergar nas entrelinhas fatos que poderiam estar ocultos; haja vista o assassinato de Abraham Lincoln, a morte do mágico Harri Houdini, o caso Roswell, a Área 51, o assassinato do presidente Kennedy etc. Não tem sido diferente desde setembro de 2001, logo após os ataques terroristas mais destrutivos da história, envolvendo os Estados Unidos.


Desde 11 de setembro daquele ano, surgiu uma variedade de teorias conspiratórias que disputam com o discurso oficial a narrativa dos eventos que ocorreram naquele dia que assustaram todo o planeta. O discurso oficial fala de uma conspiração, mas terrorista envolvendo os membros do Al-Qaeda. Entretanto, quando falamos de teorias conspiratórias deste evento, nos referimos ao que poderia ser uma espécie de operação interna.

De acordo com os defensores da conspiração, os indivíduos responsáveis tinham um bode expiatório – o grupo extremista afegão sob liderança de Osama Bin Laden – mas estavam associados ao governo norte-americano, que há pelo menos dois anos sabiam dos ataques iminentes e se recusaram a agir, durante a governança de George Bush, republicano. Neste ponto há divergências:

1ª divergência – Os terroristas muçulmanos, sim, orquestraram os atentados e o governo tinha essa ideia, mas achou que seria audácia demais e teria atribuído os relatórios a ficcionais e fantasiosos demais;

2ª divergência – É a considerada mais louca. Aponta que os atentados foram forjados pelo próprio governo americano, com o objetivo de incitar os ânimos mundiais contra o controle do petróleo no Oriente Médio e angariar apoio para uma guerra, uma vez que a indústria belicista estaria em baixa. Os defensores deste ponto mostram que a família Bush tinha ações em companhias de armas e de petróleo.


Algumas teorias conspiratórias afirmam que o desabamento das torres do World Trade Center foi o resultado de uma demolição controlada. Outras teorias também argumentam que um avião comercial não impactou contra o Pentágono, mas sim um míssil (uma vez que o rombo feito no edifício era “pequeno demais”), e que o voo 93, da United Airlines, foi abatido em pleno ar. Relatórios publicados pelo National Institute of Standards and Technology não confirmam a hipótese da demolição controlada. A grande maioria das autoridades estadunidenses, jornalistas e pesquisadores independentes concluíram que a Al-Qaeda é a única responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 e a destruição resultante.


Desde os ataques, vários sites, livros e filmes têm desafiado o relato oficial dos acontecimentos. Embora a mídia tradicional afirme que a Al-Qaeda conspirou para efetuar os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, as teorias conspiratórias asseguram que os relatos oficiais são imprecisos ou incompletos.

Inicialmente, as teorias conspiratórias sobre 11 de setembro despertaram pouca atenção na mídia. Em um discurso nas Nações Unidas em 10 de novembro de 2001, o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, denunciou o surgimento de “ultrajantes teorias conspiratórias que tentam tirar a culpa dos terroristas, afastá-los dos culpados”.

Posteriormente, à medida que aumentou a exposição na mídia das teorias conspiratórias sobre os eventos de 11 de setembro, as agências governamentais estadunidenses e a administração Bush emitiram respostas para as teorias, incluindo uma análise formal pelo National Institute of Standards and Technology das questões sobre o desabamento do World Trade Center.


Explicando o caso...
O grande problema das teorias de conspiração em relação a esta série de atentados é sustentar-se sobre bases pouco sólidas e muita boataria, bem como erros de identificação. São sempre testemunhas que preferem não aparecer, nenhum nome cientificamente reconhecido no meio, muitas situações na condicional: teria feito, teria sido, teria falado etc. Uns chegam a apontar que haveria um cofre cheio de ouro do subsolo do WTC e que, uma semana antes dos atentados, ele foi completamente esvaziado. Ou então que nos destroços do Pentágono não há restos de aeronave, como turbinas, cabine ou poltronas.

Há no You Tube uma série gigantesca de vídeos que as pessoas tentam analisar esses fatos com as explicações mais inventivas que possam existir!

Essa situação de teoria conspiratória sobre 11 de setembro nasce, se desenvolve e se perpetua por um número grande de dividendos:

1) A vítima da vez foi o país mais poderoso do mundo;

2) Os atentados foram tão bem orquestrados que nem mesmo o cinema foi capaz de produzir um roteiro tão catastrófico;

3) Graças às tecnologias emergentes, vimos tudo ao vivo em nossas casas e em ângulos diversos;

4) Os Estados Unidos têm um histórico de providenciar medidas urgentes e catastróficas para atingir os seus objetivos, como patrocinar os golpes de estado nos países latinos nos anos 60;

5) Há uma cultura entre os governos norte-americanos de escamotear a verdade dos fatos e emitir relatórios que encobrem o que realmente houve. Assim, desde o ocorrido em 1947, em Roswell, vários teóricos da conspiração desconfiam de boletins emitidos pelo governo norte-americano.



Recentemente, publiquei um post falando sobre a sociedade secreta Skull & Bones. Para ler, clique aqui!

Recentemente, escrevi um post sobre a Comissão Trilateral, que supostamente decidiria o futuro do mundo. Confira!

Recentemente, publiquei um texto sobre o famoso caso de Roswell. Leia clicando aqui!

Recentemente, escrevi um post falando sobre os Illuminati. Confira clicando aqui!

Recentemente, publicamos um texto falando sobre a Área 51. Leia clicando aqui!

Desde então, várias pesquisas de opinião sobre os atentados foram efetuadas para tentar estabelecer, grosso modo, quantas pessoas duvidavam do relato oficial, e quão prevalentes são as teorias conspiratórias. Pouco antes do quinto aniversário dos ataques, a grande imprensa produziu uma série de artigos sobre o crescimento das teorias conspiratórias. A “Time Magazine” declarou que este não é um fenômeno periférico, mas uma realidade política de primeiro nível. A cobertura da grande imprensa geralmente apresenta tais teorias como um fenômeno cultural e é frequentemente crítica quanto ao seu conteúdo.

No geral, por algumas vezes, acredito que algumas teorias conspiratórias são divertidas porque percebemos o nível crítico exagerado de algumas pessoas. Entretanto, elas se tornam extremamente tóxicas quando se transformam em um discurso cego.