sábado, 2 de junho de 2012

INCAS - OS FILHOS DO SOL


Uma das culturas mais intrigantes até hoje, em todos os aspectos, é sem dúvida, a Inca.

A palavra inca significa "chefe", "príncipe". O Inca era o chefe religioso e político de todo o Tawantinsuyo. Ele praticava a soberania suprema. Pesava o facto de que o Inca era venerado como um deus vivo, pois era considerado o Filho do Sol. Os seus súditos seguiam as suas ordens com total submissão. Apenas o mais nobre homem da linhagem Inca podia dirigir a palavra ao Inca e repassar as informações aos outros súditos.

A Civilização Inca desenvolveu-se na região da Cordilheira dos Andes (América do Sul ) nos actuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império a cidade sagrada de Cusco, era lá que havia o maior templo de culto ao deus Sol, o principal deus da religião inca.

Expandiram-se entre 1438 e 1531 em 1532, iniciou-se uma guerra civil e nesse mesmo ano Francisco Pizarro atingiu o Peru com o seu pequeno exército espanhol e conseguiu capturar o seu Inca (Atahuallpa). Este foi morto por estrangulamento no dia 29 de Agosto de 1533. Com a sua morte também acabava a "existência independente de uma raça nobre". A morte de Atahualpa foi o começo do fim do Império Inca.

O povo Inca tornou-se conhecido em todo o mundo pela sua cultura e tradição.
Cultura Inca
Os incas desconheciam a escrita, mas criaram um interessante e eficiente sistema de contagem o Quipo. Era um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo. Com o quipo, registravam e somavam as colheitas, habitantes e impostos. Mesmo com todo desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.

Praticavam diversas danças, como rituais, cada uma com o seu significado e em ocasião adequada à mesma de acordo com os costumes e crenças.
Os artesãos incas eram peritos na lavra de ornamentos de ouro e prata e deixaram peças admiráveis feitas nesses metais, em cobre e cerâmica. Excelentes tecelões, decoravam tecidos de vicunha e algodão com penas coloridas.

Os Incas realizavam uma peregrinação até ao chamado “Vale Sagrado dos Incas”que se localiza nas cidades de Pisac e Machu Picchu, no Peru, prolongando-se por mais de 100km. É chamado assim por ser localizado próximo a Cuzco e ser formado pelas correntezas do rio Willkanuta (Casa do Sol), além de possuir milenares centros administrativos, rica flora e fauna, inumeráveis riachos e quedas de água entre os bosques mais altos do mundo.
Os Incas acreditavam que o rio Willkanuta era sagrado. Para eles o rio era o espelho da Via-Láctea, sendo que esta era o rio sagrado no Céu e aquele o rio sagrado aqui na Terra.

De acordo com a cultura inca, de 1990 a 2012, a Humanidade estaria vivendo um período chamado Taripay Pacha (idade de conhecermos a nós mesmos), em que evoluiria espiritualmente e, em seguida, o tempo, conforme o conhecemos, deixaria de existir.

A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados terraços (degraus formados nas costas das montanhas). Plantavam e colhiam feijão, milho (alimento sagrado), algodão, tabaco e batata. Construíram canais de irrigação, desviando o curso dos rios para as aldeias.

Domesticaram a lhama (animal da família do camelo) que utilizavam como meio de transporte, para além de retirar a lã , carne e leite deste animal. Além da lhama, eram também criadas alpacas e vicunhas.

Religião
Os Incas eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses como o trovão, a lua, o mar, o sol. Adoravam principalmente o Sol (deus Inti) reencarnado em no Inca ou imperador, que era filho do Grande Sol, deste modo o Imperador era considerado deus dentre o povo.
Adoravam também animais considerados sagrados como o condor e o jaguar. Acreditavam num criador antepassado chamado Viracocha (criador de tudo). A religiosidade dos incas era marcada pela adoração de vários elementos da natureza. No sistema de valores da religião inca, todos os benefícios alcançados deveriam ser retribuídos com algum tipo de sacrifício que expressava a gratidão dos homens. Por esse facto, observamos que os incas organizavam vários rituais onde os sacrifícios, inclusive de humanos, eram comuns.

Educação
Entre os Incas existia uma elite formada por funcionários, chefes valorosos e mesmo por chefes vencidos que haviam sido integrados ao império. Os filhos desta elite eram educados nas escolas de Cuzco onde aprendiam história, astronomia, agrimensura, respeito a um deus supremo. Também lutavam, corriam, fabricavam armas e sandálias. A educação era severa, compreendendo jejuns e exercícios violentos que poderiam até resultar em morte. Terminado este período, o menino era apresentado ao Inca que lhe furava a orelha passando a ser este um símbolo de sua distinção social.

Economia
Dirigida pelo estado, a economia inca era acima de tudo agrária e baseada no plantio de batata e milho. As técnicas eram muito rudimentares, pois não se conhecia o arado. Os incas, no entanto, desenvolveram um sistema de irrigação com canais e aquedutos. As terras pertenciam ao estado e eram repartidas, a cada ano, entre os vários estratos sociais. Não existia, portanto, a propriedade privada. A aristocracia recebia as melhores terras, cultivadas pelas classes mais baixas. Na pecuária, também importante, destacavam-se os rebanhos de lhamas, alpacas e vicunhas, que forneciam carne, leite e lã, além de serem usadas no transporte. O comércio não era importante e não existia moeda. Os incas desconheciam a roda, mas construíram uma excelente rede de estradas que ligava Cuzco a todo o resto do império.

Comércio
O comércio entre os indígenas era feito através de permutas. Nas feiras podiam encontrar alimentos (milho, mandioca, feijão, mel etc) cerâmica, tecidos e instrumentos agrícolas. Os indígenas muitas vezes utilizavam-se de uma espécie de "serviço de crédito", ou seja, já tendo trabalhado, podiam receber alimentos. Contudo, o comércio não era grande porque parte considerável da população produzia o que necessitava.

Os incas eram construtores exímios. Sem o auxílio da argamassa, edificaram paredes tão perfeitamente ajustadas que era impossível introduzir a lâmina de uma faca entre as pedras . Milhares quilômetros de estradas ligavam as quatro províncias ou confins como as chamavam, à Cuzco a capital, era superior a tudo o que existia à data na Europa.

Na arquitetura, desenvolveram várias construções com enormes blocos de pedras encaixadas, como templos, casas e palácios. Os principais monumentos são o templo de Coricancha, em Cuzco, as fortalezas de Sacsahuamán, Pukara e Paramonga e as ruínas de Machu Picchu .
A cidade de Machu Picchu foi descoberta somente em 1911 pelo historiador americano Hiram Bingham e revelou toda a eficiente estrutura urbana desta sociedade. Edificada num penhasco situado a mais de 2350 metros de altitude, a antiga cidade inca de Machu Picchu (em língua quíchua, velha montanha) encerra ainda muitos dos seus segredos.

Era um lugar sagrado, onde somente o inca, a nobreza, os sacerdotes e as mulheres escolhidas podiam entrar.

A magia de Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, como é apelidada, reside no facto dela nunca ter sido descoberta pelos espanhóis. Portanto, foi um local praticamente intocado e onde, hoje, se pode ter uma ideia bem clara de como viviam os Incas. Actualmente apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas. Machu Picchu é sinônimo de beleza, mistério e mágia.

O lugar foi elevado à categoria de Patrimônio Mundial pela UNESCO por ser considerada o berço de uma das civilizações mais misteriosas e atraentes da história, os Incas.
montagem de fotos

"A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos. "
(Cícero)

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